domingo, outubro 08, 2006

You are very stylish, and sexy, and hi-pro, and...

Stephane voltou a fazer das suas. E já é a nona vez que comete a proeza de
nos surpreender. Sempre pela positiva! Assim, ainda quentinho, temos do passado mês de Setembro Hotel Cóstes Vol.9, mais uma entrega da editora Pschent Music.
Jean-Louis Costes foi o culpado disto tudo quando em 1997 decidiu convidar
Stéphane Pompougnac para ser o dj do restaurante do seu hotel. Anos
volvidos, e dentro da responsabilidade que é ser um dos melhores dj´s do
mundo, Stéphane pode-se orgulhar de ser dos poucos que mesclam tudo numa
só noite, tal como o melhor refogado cheio das mais variadas especiarias.
Para quem não sabe, num só álbum Cóstes, podemos encontrar bossa, electro,
jazz de fusão, trip-hop, deep-house, chillout, dub, lounge, e mais todas
aquelas denominações aos estilos e sub-estilos da nova música electrónica.
Mais engraçado ainda, Pompougnac não se tornou apenas num dos nomes mais
requisitados para as noites mais "in", fashion, e sexy da nossa Europa.
Tornou-se também no nome mais aconselhado para a inauguração de cafés e
bares dos famosos. Em Bristol, terra natal dos Massive Attack, o bar dos
autores de Mezzanine tem a presença assídua do francês. E caso desejem ir
a Miami, ao Bamboo Bar de Cameron Diaz, certamente que o poderão encontrar
de novo. Mais casos como estes poderão ocorrer pelo mundo fora. Alemanha,
Itália, Brasil, etc.
Para o mais recente trabalho do francês, os destaques vão claramente para
Gotan Project e Parov Stelar. E o desfile continua com nomes menos
sonantes mas que só por si, pela escolha de Stéphane, merecem a escuta
mais afiada e atenta.
Clara aposta para quem necessita do calmo refúgio do seu lar, e que com este objecto de sedução e ousadia, pode renovar o seu trabalho, conquistar a sua alma-gémea, renovar-se interiormente, ou simplesmente redescobrir o prazer que é estar vivo, e ter a música como aliado.
Ah, e não se esqueçam que isto tudo é um estilo de vida! Quer seja Cóstes ou Deep Café...

segunda-feira, outubro 02, 2006

Benvindos sulistas...

Juke Joint é traduzido do calão como sendo o estabelecimento onde os blues e as bebidas alcóolicas eram a atracção principal, sendo estes locais geridos por Afro-Americanos, no sudeste norte-americano. (Nota do blog)
Aí está a segunda entrega para as colectâneas "Juke Joint", a cargo da dupla de Nuremberga, Boozoo Bajou. Como sempre, a essência cultural e étnica são os motes principais para este álbum que recolhe as maiores influências musicais de Bei Florian Seyberth e Peter Heider.
Dentro deste saco, há como sempre muitas marcas da soul, jazz e blues, sendo um autêntico bilhete de ida para as margens do Mississippi, passando também pelo reggae jamaicano. Destaques, alguns! Josh Rouse vê o seu "Come Back" recuperado, e associado a outros nomes como El Michels Affair ("Hung Up On My Baby"), Alice Russel ("Hurry On Now"), Mark Rae ("Medicine"), ou Mulatu Astatque ("Emnete").
Dentro daquilo que tem vindo a ser considerado como o som genuíno dos Boozoo Bajou, é claramente um álbum que se enquadra na filosofia chill e dub. Mas é, e tão somente isso! Um álbum simpático de homenagem aos sons que os inspiram, mas pouco mais. Agora, técnicamente falando, é uma recolha que baralha e volta a dar as cartas que nos ditam as catalogações da música actual. Dá que pensar...e analisar! Eis de novo a marca !K7 Records, agora a gerir esforços de qualidade, e com selo de apoio Deep Café.

terça-feira, setembro 26, 2006

Banda sonora para um Outono calmo


Quase um mês depois, recuperamos um post onde a referência era Clara Hill. Por sinal, as palavras que são dirigidas à lindíssima Clara, não podiam ser melhores! Temos em mãos um excelente álbum que adorna de forma positiva esta recta final de ano. Parcerias (e muitas) são os condimentos deste "All I Can Provide", que conta nos créditos nomes como Vikter Duplaix, AtJezz, Slope, George Levin, Meitz ou King Britt.
Um calmo final de tarde poderia ser a definição visual deste trabalho, pois levita-nos para um estado de graça e animosidade dócil.
O que é a visão urbana de Clara, é também um sólido conjunto de sons nu-jazz. A soul também mostra a sua irreverência, em registos claramente chill. Pelo meio, dois ou três registos mais dançantes.
Excelente aposta da Sonar Kollektiv, que rebusca nos baús da casa a boa matéria prima. Com este segundo álbum, fica a certeza que a saída dos Jazzanova foi um duro golpe para os germânicos, pois Clara está mais madura e com um grau de confiança e qualidade muito grande. Deep Café de regresso, a dar som ao Outono, sempre na vanguarda da música electrónica alternativa.

segunda-feira, setembro 25, 2006

O escocês da escola gaulesa


Seguindo na linha da label F Communications, pertença de Laurent Garnier, temos esta semana do Deep Café mais sons provenientes da mesma escola gaulesa. Entrando na onda do jazz de fusão que se mescla com a house e as batidas descontraídas do funk e soul, temos nomes de peso que se destacam há muito. Casos de Ludovique Navarre (St.Germain), o própio Laurent Garnier, e Dimitri From Paris. A eles junta-se um suspeito intitulado de Aqua Bassino (Justin Robertson)."Beats n´Bobs" em 2002 foi o álbum de estreia, que sem ser surpreendente, acabou por renovar o sangue que até então parecia ter perdido parte da sua força. Este ano de 2006, assistimos ao lançamento de "Rue de Paris". Um álbum que teima em não deixar morrer a onda dos seus antecessores musicais. É curioso que seja um escocês a assumir as rédeas do movimento, insistindo na sonoridade inebriante do jazz, soul, funk, r n´b, sempre adornado pelas doces batidas electrónicas do deep-house. Fica mais uma sugestão Deep Café, que se enquandra na perfeição para a nova temporada que aí se avizinha, o Outono. Temos sons modernos e melancólicos que contrastam com uma alegoria passageira.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Aviso...aos distraídos! Vêm aí os Hot Chip.


Apesar da geração ser a mesma, quem impôs o mote foram os LCD Soundsystem que nos trouxeram e viciaram naquela que é pomposamente designada por música de dança alternativa. Tiga e Fischerspooner também apadrinharam esta nova onda, que tem um termo excessivamente extenso mas que vai ganhando cada vez mais adeptos.
O ano passado todos delirámos ao som de "Tribulations". Este ano, a aposta vai para temas da mesma cena musical, mas com autores diferentes. É o caso do quinteto londrino Hot Chip, que nos regalam pérolas como "Over and Over" (sucesso estrondoso em clubes da Europa) e "And I Was A Boy From School", inseridos no álbum "Warning".
Esta, até nem é a estreia dos britânicos nas lides musicais. O ano passado passearam-se pelo Sudoeste promovendo o primeiro álbum da sua curta carreira "Coming on Strong". Este ano, as passagens deram-se em Julho, com apresentações na galeria ZdB e no Festival Hype @ Tejo. Poderiam ser um projecto pós-punk, funk-punk, electro, indie-electrónico-alternativo, e muitas mais coisas, mas o contrato com a DFA Records deixa pouca margem para as dúvidas da sua qualidade. Se é que ainda as há! Murphy e Tim Goldsworthy raramente se enganam e deixam-nos um selo de garantia nesta proposta, Deep Café.
Adeus Agosto, olá Setembro! Mês novo, estilo novo, no Deep Café!


quarta-feira, agosto 30, 2006

Sai mais uma restrospectiva...com muito gelo, que o calor ainda aperta!


O último post que aqui deixei, coincidiu na data, com o lançamento de mais uma retrospectiva.
E sou obrigado a utilizar esta palavra, não por falta de imaginação, mas porque de uma "Retrospective" se trata! Assim literalmente! Mais uma - dirão, e com razão. E sabem que mais? Transporta tanta qualidade que até me esqueço das minhas birras com a falta de inspiração deste ano. Se houvesse medalhas para os álbuns que saem anualmente, eu votaria a favor de um ouro pra este senhor.
Foi por alturas da "descoberta" Nicola Conte, que também conheci Laurent Garnier. A caminho do Porto, para um concerto do italiano, questionava-me quando iria ter a oportunidade de assistir ao pai de "The man with the red face" (O meu tema favorito). Ainda não tive essa sorte, mas este álbum vai compensando a espera.
Iniciando a sua carreira em 1994, Laurent Garnier bebeu de tudo o que a velha Albion tinha para lhe oferecer. Desde o house ao trance, do underground nova-iorquino, techno de Detroit, acid-house, estancando depois no jazz de fusão. Quase que dava para dizer que criou de propósito a editora F Communications, só para escoar tanta e boa música, por si produzida.
É um dos djs mais bem sucedidos e requisitados em todo o planeta, e só a sua modéstia poderá esplicar tanto anonimato (sendo um francês, isto é verdadeiramente dificil de engolir). Os exemplos de reconhecimento não precisam de vir de nós! Há quem já o tenha feito, não só aplaudindo o seu extenso trabalho, mas também encomendado produções e remisturas. Falo de nomes com tão pouco em comum, como Van Morrison e Serge Gainsbourg, ou St.Germain e Frederic Galliano.
A nós consumidores, compete-nos a função de apreciar o seu trabalho! E como a única vantagem que eu encontro num best of, é a de conhecer melhor a história de um artista, resta-me sonhar que este álbum se torne num dos mais aclamados do ano! Não por trazer algo de novo! Mas pelo tanto que já foi oferecido à música por este francês, e o distraído que alguns têm estado!
As dádivas têm o condão de serem apreciadas em data póstuma. Que o mesmo não se passe com este "Retrospective". Um álbum de temas bomba (para pistas de dança), remisturas e versões, pintado com as cores da ousadia e da versatilidade, e o arrojo de um artista de espírito lutador.


terça-feira, agosto 29, 2006

Dois em um: retrospectiva e homenagem!


Quando o meu processo de "culturização" musical rumou ao mundo dos beats computorizados e electrónicos, duas bandas surgiram à cabeça, e funcionaram como íman, apegando-me sem apelo, e sem o consequente agravo, ao que hoje é denominado por trip-hop, ou por outros por dub.
Há uns tempos falei das catalogações das músicas, e por isso não vou relembrar a minha opinião.
Essas duas bandas foram os norte-americanos Thievery Corporation, e a banda de hoje, os britânicos Fila Brazillia.
Hoje em dia, pouca visibilidade têm tido no Deep Café, e graças a Deus surge este Best Of (de qualidade, assuma-se!), para me relembrar deles, relembrá-los a vós, e mostrá-los aos distraídos! Esta retrospectiva percorre 16 anos de sucesso contínuo, iniciados em 1990, em Hull, no nordeste da Inglaterra, por Steve Cobby e Dave McSherry. Além do referido trip-hop, também é normal e frequente encontrarmos exercícios exímios de nu-jazz e ambient. Começando em "Old Codes New Chaos", a carreira destes moços promove-se sozinha com o lançamento de sucessivos álbuns, remisturas e em colectâneas da especialidade, e ainda nas bandas sonoras das séries CSI e Sexo e a Cidade. "Maim That Tune", "Mess", "Black Market Gardening", "Luck Be A Weirdo Tonight" e "Power Clown" pela editora Pork Recordings, antecedem a inauguração da sua própia label designada por Twentythree Records. Com este selo, saem mais tarde "A Touch Of Cloth", "Jump Leads", "The Life And Times Of Phoebus Brumal", "Dicks", e este "Retrospective".
Estes 10 álbuns recheiam uma carreira com sucesso e mérito, mas na verdade, também premeiam quem os acompanhou com regularidade. Os inícios contagiantes do trip-hop e do ambient-house, deram lugar a uma acalmia com sons mais acústicos, que sem retirar qualidade ao trabalho made in Fila Brazillia, no mínimo confundiu e baralhou os fãs mais conservadores. "Brazillification" foi o duplo álbum de remisturas que manteve a chama viva, e que os reafirmou solidamente, retirando a acusação de terem desaprendido com a idade. A música de dança é inconstante e àrdua, mas os Fila Brazillia são regulares na sua bitola. Esta parceria é das melhores que temos na cena electrónica, e este "Retrospective" prova-o! Sem espinhas!