sexta-feira, dezembro 15, 2006

Bom Natal, boas prendinhas, bons sons!

Estamos no final do ano de 2006, e é chegada a altura da reflexão. Foi um bom ano, mas esperava-se mais de certos artistas. Não vale a pena mencionar nomes, basta ler os posts.
Aqui vos deixo uma lista daqueles que considero como tendo sido os mais fortes, e que rodaram com mais insistência, claro está, devido à boa aceitação dos respectivos trabalhos (Quem sabe se não está aqui uma boa prendinha de Natal?).
Já sei que é discutível, como em tudo na vida, mas a opinião aqui fica, aproveitando para lançar o desafio de mencionarem vós mesmos, os álbums que mais gostaram e que mais qualidade espalharam pelas pistas, salas, noites do éter, e afins...
Deixem os vossos comentários aqui mesmo, ou então em deepcafe@hotmail.com
Bom Natal! Fröhliche Weihnachten! Vefelé Vánoce! Gun Tso Sun Tan'Gung Haw Sun! Vrolijk Kerstfeest en een Gelukkig Nieuwjaar! Feliz Navidad y próspero año nuevo! Merry Christmas and a Happy New Year! Buone Feste Natalizie! Pozdrevlyayu s prazdnikom Rozhdestva is Novim Godom!

- Bonobo_Days To Come
- Clara Hill_All I Can Provide
- Gotan Project_Lunático
- Henrik Schwarz_Dj Kicks
- Koop_Koop Islands
- Madrid de los Austrias_Grand Slam
- Massive Attack_Collected
- Matthew Herbert_Scale
- Quantic_One Offs Remixes & B-Sides
- Thievery Corporation_Versions
- Voom Voom_Peng Peng

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Playlist 14-12-06

Isabelle Antena - Nothing To Lose (T.Corporation Mix)
Bangguru - Love Never Ends
Sven Van Hees - How Dracula Got His Groove Back
Kinobe - Moonlight & Mescaline
Mr.Scruff - Bobby´s Jazz Pony
Cinematic Orchestra - Channel 1 Suite
Micatone - Still In Time
Nightmares On Wax - Les Nuits
Bent - I Love My Man
Quantic - Prelude To Happening
Gare Du Nord - Excellounge Bar
Boards Of Canada - Hey Saturday Sun
Hooverphonic - Jackie Cane
Emiliana Torrini - Sunny Road
Truby Trio - Love Uncovered
R.Dorfmeister - Peacetime
Boozoo Bajou - Under My Sensi (T.Corporation Mix)
Thunderball - Solar
Jazzanova - No Use (Beanfield Mix)
Zero 7 - Waiting Line (Madrid De Los Austrias Mix)
M.Herbert - Leave Me Now
Lisbon City Rockers - Fusion Form
Moloko - Sing It Back

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Um certo ambiente electrónico-literário!

O esoterismo faz parte da música? Claro que sim, e "La" dos São Paris, transmite essa sensação, pois temos na voz de Leticia Maura, uma invocação, um ritual, doce e melancólico, de tão quente que é!
Esta paulista de gema, não só vocalizou este álbum, como préviamente o escreveu e compôs, em companhia de Thomas Férriere, o produtor francês apaixonado pela música electrónica em geral, e a bossa-nova em particular. Indissociável, é a presença neste álbum, do jazz e do experimentalismo, que é comum ao duo franco-brasileiro.
Desde que se conheceram e juntaram em 2001 (com a fundação do projecto São Paris), que o desejo de transmitir algo "avant-garde" foi crescendo, ao ponto de querer quebrar com todas as regras.
E no fundo este álbum quebra realmente com tudo, por ser tão fora do vulgar, e ricamente cultural. A etiqueta que se colaria a este cd, seria algo do tipo "Electrónica experimental/minimal", ao qual se acrescentaria uma nota pelos vocais que conferem um ambiente electro-literário, reforçado com as presenças de Ly Qian, Ghérasim Luca e Chico César que se juntam a esta aventura, já apelidada como uma das novas sensações da onda electrónica.
Para escutar e apreciar, pois quando falamos de experimentalismos, podemos nos lembrar de Herbert, mas não é o caso. Não há comparações. O caso aqui é do domínio da F Communications de Garnier, que os encontrou a tempo e os albergou. E para quem ainda não sabe, "Sambaleias" já roda com sucesso no Deep Café.
Tracklist:

01 La
02 Piano Class
03 Sambaleias
04 Wong
05 Ingrato
06 Last Dreams
07 Sao Paolo
08 Musique Box
09 Paris
10 Acqua
11 Dialog
12 Quart D`heure De Culture Metaphysique
13 Bali`s Wind
14 Beijo





ou: http://www.imagique.net/vrac/clip.php

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Playlist 07-12-06

Kinobe - Slow Motion
Ursula Rucker - Humbled
Kid Loco - Horsetown In Vain
Massive Attack - Black Milk
Psapp - Feel the Fur
Afterlife - Smooch
Jazzamor - Childhood Dreams
Boozoo Bajou - Way Down
Peace Orchestra - Who Am I
Télépopmusik - Don´t Look Back
Dzihan & Kamien - Homelands
Dr.Rockit - Cameras & Rock
Monte La Rue - Single Words
Fink - Pretty Little Thing
Federico Aubele - Postales
Micatone - Nomad
Thievery Corporation - Until The Morning
Bonobo - If You Stayed Over
Tosca - The Big Sleep (Señor Coconut Mix)
Vicenzo & Rivera - Tu Estas Fatal
Chambao - Ulere
Clara Hill ft. Vikter Duplaix - Paper Chase
Phonique ft. Erlend Oye - For The Time Being

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Bom prenúncio na estreia...

Roland Voss é Lemongrass, o artista que merece esta semana o destaque do Deep Café.
O caminho musical de Roland escreveu-se com passagens pelo Rock, saltando pelo Funk, Jazz, New Wave e Hip Hop, até que atingiu o nível das batidas electrónicas. Além de DJ, o seu trabalho divide-se como baterista de Jazz, professor de música e productor musical. A fundação da label Lemongrassmusic deu-se no ano transacto, e contou com a ajuda do seu irmão, Daniel Voss. Em Junho de este ano lançou a compilação "Garden - Vol.1" (segundo lançamento do historial da editora), aproveitando para apresentar os nomes mais sonantes da editora, quer em termos de som produzido, como de projectos existentes.
Todos eles, são nomes que se estreiam nas lides musicais e têm a particularidade de ser ou da Alemanha ou Japão, dois dos países mais prolíferos na onda electrónica. Claramente que a razão da nossa atenção, só poderia ser pelos sons que caracterizam esta editora. Sons electrónicos variados que se enquadram na filosofia chill, com muito downtempo e lounge à mistura, algum dub experimental e trip-hop bem madurinho.
Bom prenúncio para uma editora de quem se espera muito e que começou acertadamente no bom caminho.

Tracklist:

01 Antennasia - Lost
02 Derrick - Eternal Spring
03 Green Empathy - Kamasutra
04 Maria - To Be Happy
05 Amun - Discovering Your Smile
06 Dugsoul - X-Ray Milky Way Murasaki (Remixed By Dj Nob Tee)
07 Lemongrass - Fritz the Cat
08 Maomakmaa - Einsiedler
09 Antennasia - Sorrow1
10 Weathertunes - Chineses Whisper
11 Green Empathy - Swans
12 Jasmon - Tuulia
13 Lemongrass - Feel It
14 Weathertunes - Coincidence
15 Eurasian Macro-System - Yugoslavia

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Playlist 30-11-06

Jazzamor - Way Back
Zero 7 - Pageant of the Bizarre
The Cinematic Orchestra - All That You Give (Dr.Rockit´s Giving Mix)
Monte La Rue - Malibu Marina
Bonobo - Ketto
Coldcut - Walk A Mile
Tosca - Heidi Bruehl (Plantlifes´s Love Philosophy Mix)
Anoushka Shankar - Beloved (T.Corporation Mix)
Nouvelle Vague - Killing Moon
Sao Paris - Sambaleias
Karminsky Experience - Behind The Bamboo Curtain
Luomo - Let You Know
Clara Hill ft. Atjazz - Nowhere (I Can Go)
Aqua Bassino - Espirito de Amor
Astor Piazolla - Vuelvo Al Sur (Koop Mix)
Gotan Project - Domingo ft. Jimi Santos
Daedelus - Vida Vida
Soulphiction - Deranged
Milosh - You Fill Me (Jazzanova Version)
Voom Voom - Vampir Song
Joakim - Are You Vegetarian
Groove Armada - My Friends - (Madrid de los Austrias vs. Dorfmeister Mix)
Quantic - Mishaps Happening (Quantic Big Beat Mix)

quinta-feira, novembro 30, 2006

Viagem às Ilhas Koop

Abrimos ao som da voz da norueguesa Ane Brun, que se junta aos suecos Koop, num cruzeiro sem destino algum. Não se sintam defraudados. As Koop Islands são onde nós quisermos, onde necessitarmos, onde sintamos falta. Não têm morada, mas sabemos onde as encontrar. Basta seguir o sentido. E esse sentido por vezes pode redundantemente se sentir baralhado, confuso, quem sabe, adulterado. Mas é lógico! A sonoridade dos Koop por vezes tem a vantagem de nos fazer regredir, sem sermos retro. Muito pelo contrário!
O mais normal é a sensação típica de uns anos 30. Damos os descontos até aos 40, onde um swing contagiante se faz sentir vontade de dançar. Por vezes ao som da voz de Ane Brun, ou de Yukimi Nagano, de Earl Zinger, ou então de Mikael Sundin. As orquestras confudem o mais leigo e até o mais experiente. Serão samplers? Até pode ser que sim pois este é o mundo dos Koop. Versão dança de salão...No fundo é apenas jazz, mas não se debrucem muito sobre isto. Vai perder a graça e deixamos de levitar.
Regressamos da nossa viagem no tempo e no espaço. Estamos bem onde nos sentimos melhor, nas Koop Islands.
Ps: 11_Dezembro_06 @ Arena Lounge (Casino Lisboa), for free.

Tracklist:

01 Koop Island Blues
02 Come To Me
03 Forces…Darling
04 I see a different you
05 Let´s Elope
06 The Moonbounce
07 Beyond The Son
08 Whenever There Is You
09 Drum Rhythm A

quarta-feira, novembro 29, 2006

Regresso às emissões


Assim é! O Deep Café vai voltar ao ar, e como é claro os bons sons estão de regresso no formato dose dupla semanal. Já sabem que podem clicar em www.rubi.ubi.pt e sintonizar o Deep Café, desta vez às quintas-feiras, no horário 14-16h.
Para mais informações contactem pelo mail deepcafe@hotmail.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Simon Green & Bonobo...

Com o álbum de Quantic tive aqui há uns tempos, uma das maiores descargas elogiosas como nunca antes visto. E isso vai voltar a acontecer com Bonobo, o projecto do britânico Simon Green, que com "Days To Come" não fica atrás de "One, Offs & Remixes" de Will Holland (Quantic).
Neste 3º trabalho podemos apreciar a madurez na sua forma mais fluida e sensorial. A música escorrega por entre melodias jazzistas, ritmos downtempo, e chillout torneado às novas exigências. Simon surgiu quando a fonte brotava com força, e não só bebeu da sua sabedoria como aprendeu a dar de beber. Com ele está Bajka, que ao ser das novas coqueluches do nu-jazz tempera com mais abundância um álbum só por si excelente. A música por enquanto está bem entregue, pois é ouvindo trabalhos como os de Bonobo que nos apercebemos que na fuga da rotina do dia a dia, podemos encontrar bons refúgios que nos albergam e nos clarificam. Assim é o som de Bonobo. Puro. Contagiante. Groovie...

Tracklist:

01 Intro
02 Days To Come ft. Bajka
03 Between The Lines ft. Bajka
04 Fever
05 Ketto
06 Nightlite ft. Bajka
07 Transmission 94
08 On Your Marks
09 If You Stayed Over ft. Fink
10 Walk In The Sky ft. Bajka


quinta-feira, novembro 23, 2006

Monte La Rue - Redit

Sabe sempre bem ouvir o clássico chillout, ainda para mais quando está acompanhado por lounge, trip-hop e jazz de fusão. Contava com isto aguçar-vos o apetite, numa altura que temos estado mais virados para outras sonoridades.
A proposta de hoje vai para Monte La Rue, um dj belga também alcunhado de "Lounge King Of The Lowlands".
Quando se escuta este "La Maison La Rue", faz sentido falarmos de mais um fruto da escola de Laurent Garnier. Mas não! Não provém da F Communications. Provém de várias correntes musicais como a Cinq Étoiles e a Disque Deluxe, operando depois na editora homónima ao álbum.
Parece séria concorrência a Garnier uma vez que este senhor acumula cargos atrás de cargos. Além de dj, é articulista no site "Dj Broadcast"e colaborador num magazine de jazz. Há anos que é o responsável pelo seu programa de rádio "Deluxe", e caso não chegasse, adicione-se o facto de já ter fornecido músicas suas para publicidades e eventos de marcas como Martini, Hilfiger, Lancôme, Louis Vuitton, Microsoft, Amsterdam Fashion Week, Bacardi, Arnem Fashion Institute, Vodaphone, Nokia.
Caso ainda não cheguem os motivos para acreditar na arte de La Rue, tratem mesmo de conseguir este álbum, mais uma sugestão Deep Café. Quase que diria que se trata de um "back to basics", ou um regresso ao "old school", provando que afinal se o chillout é um cliché, ele consegue reinventar-se e deliciar-nos como por magia. Parece ser simples demais, e a forma como nos deixamos levar é o que leva à inveja do talento.
Boa condensação de temas que vão desde o chillout puro, com vagas de algum lounge e trip-hop, e o clássico jazz de fusão onde Monte La Rue revela a sua verdadeira paixão e um à vontade surpreendente.
Tracklist:
01 Malibu Marina
02 Paris Minuit
03 Passe Partout
04 Magic Occasion
05 Moonlite
06 Color My Pants
07 Hyde
08 Single Words (single mix)
09 Spring Again
10 Soil
11 Rising

sábado, novembro 18, 2006

Mais uma Sonar Kollektiv Releases

Como já devem saber, pelo menos pela minha singela opinião, este foi um ano de lançamentos pró boneco. Passo a explicar. Muitas das grandes bandas e projectos das nossas lides musicais optaram por fazer álbuns menos vistosos. E alguns, de menos gabarito, conseguiram sobressair e ombrear com os pesos-pesados. O caso de Soulphiction é um deles. Falamos de Michel Baumann que lançou "State Of Euphoria " e que apesar de não ser rookie nestas andanças, tem tido uma carreira vagabunda pela Pokerflat, G-Stone e Playhouse, e sob este pseudónimo vai lançando as suas maravilhas perfumadas com hip-hop. Não é sem dúvida dos estilos o que mais me cativa, mas a forma como compõe e coordena a atitude hip-hop com a soul, é que tornam a coisa mais agradável. Temos muito funk quente e jazz suave que nos invadem a alma e nos servem de pretexto para um Outono menos enfadonho. Técnicamente a composição electrónica divide protagonismo com guitarras, congas e contrabaixos, e é o groove combinado com vocais doces que fazem qualquer um apaixonar-se por esta obra musical. Repito, mais uma das produções que não devia ser esquecida e a prova disso é o lançamento ter acontecido em Fevereiro deste ano, e continua sem a visibilidade que merece.Uma prenda para quem gosta, e uma surpresa para quem não conhecia.

Tracklist:

01 Intro
02 State Of Euphoria
03 Used
04 Make It Slow
05 Deranged
06 Intermission
07 No Jealousy
08 Midnight Funk Infinity
09 Transistor Slugs
10 What Was Coming
11 Days Of Feeling Sad
12 Love Thang
13 Angela

segunda-feira, novembro 06, 2006

Dj Kicks - Henrik Schwarz

Se porventura alguém já pensa nas prendinhas de Natal, cá vai a primeira sugestão: este belíssimo "DJ Kicks" autoria do germânico Henrik Schwarz.
A editora !K7 colocou nas prateleiras mais uma edição da consagrada série DJ Kicks, e desta vez a honra coube a Schwarz. A inclusão de nomes importantes no alinhamento, tais como James Brown, Marvin Gaye e Drexciya, ao lado de faixas próprias produzidas especialmente para o volume, tornam este trabalho ainda mais aliciante. A soul, o jazz os blues e o Rhythm & Sound decidiram vestir os fatos-de-macaco providenciados pelos sons electro e sairam à rua dispostos a mostrar trabalho e inovação. O resultado é um excelente conjunto de músicas que ocultam as sua face mais melancólica e tristonha e exibem sem pudores um ar mais ritmado e sensual. Primeira aposta do mês de Novembro, num trabalho bem conduzido, que inebria pelas mixagens suaves de delicadas, bem ao estilo Soulful.

Tracklist:

01 Intro
02 Moondog - "Bird's Lament"
03 Double - "Woman of the World (Long Instrumental Version)"
04 iO - "Claire"
05 D'Angelo - "Spanish Joint"
06 James Brown - "Since You've Been Gone"
07 Henrik Schwarz - "Jon"
08 Jae Mason - "Let It Out"
09 Cymande - "Anthracite"
10 Henrik Schwarz - "Imagination Limitation (DJ-Kicks)"
11 Drexciya - "Black Sea"
12 Amampondo - "Giya Kasiamore"
13 Coldcut - "Walk a Mile in My Shoes (Henrik Schwarz Remix)"
14 Robert Hood - "The Core"
15 Artist Unknown - "Chant Avec Cithare (Track 1)"
16 Pharoah Sanders - "Summun Bukmun Umyun"
17 Luther Davis Group - "You Can Be a Star"
18 Arthur Russell - "Get Around to It"
19 Womack & Womack - "Conscious of My Conscience"
20 Rhythm & Sound with Sugar Minott - "Let Jah Love Come"
21 Doug Hammond - "Wake Up Brothers"
22 Marvin Gaye - "You're the Man (Alternate Version 2)"


terça-feira, outubro 24, 2006

Who Made Who

Os mais velhinhos de nós certamente que irão associar o nome ao clássico dos AC/DC, mas a única comparação que poderia daí advir, até nem é o som, que sem ser puramente electrónico, também não é puramente rock.
Das designações que já li, surgem catalogações engraçadas como electroclash, electro-rock, electro-pop, indie e nu-electro.
Já nem vou tocar nesta tecla pois já conhecem a minha posição.
Os Who Made Who são talvez, uma mistura bem conseguida de pop electrónica e punk-funk, com cheirinhos de outros ingredientes como o groove.
E antes de comentar, o que vale mesmo é escutar as suas produções.
Do ano passado, quase com um aninho em cima, temos o fabuloso álbum de estreia "Who Made Who". Além do homónimo, temos já deste ano "Green Versions".
Foi ao som de uma versão de Benni Benassi, Satisfaction, que fiquei a saber quem eram estes dinamarqueses. Um dj de house viciado em batidas, um baixista que canta e que vive atado à época Bowie, e um guitarrista de jazz muito avant-garde, são estes os artistas que produzem um som muito único, e que para mim são disco-punk! (Mais um estilo pró saco)
Explorem este trio bem ecléctico. Muitos poderão sentir um certo ambiente 60´s, com cheiro a folk. Quem sentir os 70´s poderá associar à onda psicadélica. Dos 80´s sente-se o punk e funk, e finalmente, claro que se nota as marcas disco e ambient.
Dois álbuns muito surpreendentes que merecem toda a atenção. É esta a nova música que se define sem definição. Que se produz dentro de estilos gerando novo estilo. After all, who made who?


domingo, outubro 22, 2006

Já era bom ser bebé, assim ainda mais!

Sendo o chillout um dos estilos aqui abordados neste blog, não poderia deixar de passar esta oportunidade de falar de um dos projectos mais simpáticos que a música já conheceu. Lembrem-se que acima da atitude calma e melancólica que este estilo musical transmite, está claramente uma forma de estar. Chill, destressada, descontraída, relaxada...
A recém-criada editora Baby Rocks teve a genial idéia de recriar os sons de alguns grupos de renome, num formato completamente lullabye, que é como quem diz, canção de embalar.
Nomes como Pixies, Coldplay, Nirvana, The Cure, Tool, The Beach Boys, Led Zepellin já fazem parte deste novo universo, e até nós chegou a versão dos Radiohead - "Rockabye Baby! Lullaby Renditions of Radiohead".
Estruturada numa plataforma instrumental, temos xilofones, vibrafones, pianos e melotrons, que fundidos geram um ambiente agradável, não só a bebés mas também a adultos. A banda de Thom Yorke tem nos seus temas mais clássicos a grande base deste álbum, que são completamente maquilhados e resultam numa grande doçura e ternura, tal como um bebé...
Quase que arriscava dizer que estas versões é que originaram os temas originais, se me é permitido a heresia e o sacrilégio.
Não vale a pena contar muito mais, é ouvir e deliciar a alma.

terça-feira, outubro 17, 2006

Vida pós-Herbert


Não se separam àguas com a mesma facilidade que com azeite, e esta comparação serve para traduzir o som que escutamos do suor e inspiração de Dani Siciliano neste "Slappers".
Se no ano de 2004 tivémos a participação de Mugison, Olegavitch e Herbert no àlbum "Likes", neste novo trabalho nenhum deles é repetente, se bem que Herbert ajuda de forma subtil na produção. Mesmo não tendo a importância de outrora nos seus trabalhos, Dani vê a sua relação sentimental com Herbert produzir a mesma pop sintetizada, a mesma electrónica experimental, com a mesma qualidade de sempre, que premeia quem joga no risco da procura de novos sons e efeitos.
Ela própia admite que procurou explorar a voz de modo a conferir um novo equilibrio entre a electrónica e os instrumentos, algo que nos faz compará-la vagamente aos Moloko de Róisín Murphy.
Não se pense que existe um exagero na alienação do seu trabalho a Matthew Herbert. Mas o facto é que esta escola tem seguidores que não se importam de arriscar, e de tentar revolucionar o tão saturado mundo da música electrónica. É esta a filosofia Herbert, e para isso invadem-se os terrenos mais díspares como a soul, country, blues, jazz, funk, disco, e como é natural, a electrónica. Apesar de não ser um àlbum revolucionário, pela atitude que tem, até acaba por o ser. Aporta sofisticação e dinamismo melódico, é sincero...e honesto. Ao todo, um conjunto de músicas que são difíceis de catalogar, mas que procuram o abrigo e amparo dos menos duros de ouvido.


quinta-feira, outubro 12, 2006

Novidades Deep Café

Neste sábado, 14 de Outubro, sai o primeiro exemplar da revista "Studio Box" - Edição de Elvas. Para quem não sabe, trata-se de um magazine bimestral e gratuito que vai abordar as mais variadas formas de cultura, arte e design, e em especial, da região. Temas como a moda, música, teatro e cinema, arquitectura, pintura e fotografia serão focados em cada impressão.
Eu própio fui convidado para orientar a página de música, e centrarei o interesse máximo em expandir o conhecimento e propagação da música electrónica. Será uma continuação deste blog, que sempre se apoiou nos sons de cariz mais moderno e de vanguarda.
Obviamente que haverá uma festa de lançamento, e que vai decorrer no Tea & Wine.
Como dj principal, vou procurar no meu set, abordar as sonoridades mais chill e lounge, havendo a natural transição para o deep-house, house e electro.

Por outro lado, informo também que já se iniciaram negociações para o regresso do Deep Café, versão rádio. Este ano, são escassas as probabilidades/possibilidades de integração na grelha da RUBI, pelo que a opção passou para o patamar de uma rádio mais profissional, de expansão e visibilidade muito superior. Assim que houver novidades, elas serão transmitidas através do blog. Bons sons, na companhia do Deep Café...

domingo, outubro 08, 2006

You are very stylish, and sexy, and hi-pro, and...

Stephane voltou a fazer das suas. E já é a nona vez que comete a proeza de
nos surpreender. Sempre pela positiva! Assim, ainda quentinho, temos do passado mês de Setembro Hotel Cóstes Vol.9, mais uma entrega da editora Pschent Music.
Jean-Louis Costes foi o culpado disto tudo quando em 1997 decidiu convidar
Stéphane Pompougnac para ser o dj do restaurante do seu hotel. Anos
volvidos, e dentro da responsabilidade que é ser um dos melhores dj´s do
mundo, Stéphane pode-se orgulhar de ser dos poucos que mesclam tudo numa
só noite, tal como o melhor refogado cheio das mais variadas especiarias.
Para quem não sabe, num só álbum Cóstes, podemos encontrar bossa, electro,
jazz de fusão, trip-hop, deep-house, chillout, dub, lounge, e mais todas
aquelas denominações aos estilos e sub-estilos da nova música electrónica.
Mais engraçado ainda, Pompougnac não se tornou apenas num dos nomes mais
requisitados para as noites mais "in", fashion, e sexy da nossa Europa.
Tornou-se também no nome mais aconselhado para a inauguração de cafés e
bares dos famosos. Em Bristol, terra natal dos Massive Attack, o bar dos
autores de Mezzanine tem a presença assídua do francês. E caso desejem ir
a Miami, ao Bamboo Bar de Cameron Diaz, certamente que o poderão encontrar
de novo. Mais casos como estes poderão ocorrer pelo mundo fora. Alemanha,
Itália, Brasil, etc.
Para o mais recente trabalho do francês, os destaques vão claramente para
Gotan Project e Parov Stelar. E o desfile continua com nomes menos
sonantes mas que só por si, pela escolha de Stéphane, merecem a escuta
mais afiada e atenta.
Clara aposta para quem necessita do calmo refúgio do seu lar, e que com este objecto de sedução e ousadia, pode renovar o seu trabalho, conquistar a sua alma-gémea, renovar-se interiormente, ou simplesmente redescobrir o prazer que é estar vivo, e ter a música como aliado.
Ah, e não se esqueçam que isto tudo é um estilo de vida! Quer seja Cóstes ou Deep Café...

segunda-feira, outubro 02, 2006

Benvindos sulistas...

Juke Joint é traduzido do calão como sendo o estabelecimento onde os blues e as bebidas alcóolicas eram a atracção principal, sendo estes locais geridos por Afro-Americanos, no sudeste norte-americano. (Nota do blog)
Aí está a segunda entrega para as colectâneas "Juke Joint", a cargo da dupla de Nuremberga, Boozoo Bajou. Como sempre, a essência cultural e étnica são os motes principais para este álbum que recolhe as maiores influências musicais de Bei Florian Seyberth e Peter Heider.
Dentro deste saco, há como sempre muitas marcas da soul, jazz e blues, sendo um autêntico bilhete de ida para as margens do Mississippi, passando também pelo reggae jamaicano. Destaques, alguns! Josh Rouse vê o seu "Come Back" recuperado, e associado a outros nomes como El Michels Affair ("Hung Up On My Baby"), Alice Russel ("Hurry On Now"), Mark Rae ("Medicine"), ou Mulatu Astatque ("Emnete").
Dentro daquilo que tem vindo a ser considerado como o som genuíno dos Boozoo Bajou, é claramente um álbum que se enquadra na filosofia chill e dub. Mas é, e tão somente isso! Um álbum simpático de homenagem aos sons que os inspiram, mas pouco mais. Agora, técnicamente falando, é uma recolha que baralha e volta a dar as cartas que nos ditam as catalogações da música actual. Dá que pensar...e analisar! Eis de novo a marca !K7 Records, agora a gerir esforços de qualidade, e com selo de apoio Deep Café.

terça-feira, setembro 26, 2006

Banda sonora para um Outono calmo


Quase um mês depois, recuperamos um post onde a referência era Clara Hill. Por sinal, as palavras que são dirigidas à lindíssima Clara, não podiam ser melhores! Temos em mãos um excelente álbum que adorna de forma positiva esta recta final de ano. Parcerias (e muitas) são os condimentos deste "All I Can Provide", que conta nos créditos nomes como Vikter Duplaix, AtJezz, Slope, George Levin, Meitz ou King Britt.
Um calmo final de tarde poderia ser a definição visual deste trabalho, pois levita-nos para um estado de graça e animosidade dócil.
O que é a visão urbana de Clara, é também um sólido conjunto de sons nu-jazz. A soul também mostra a sua irreverência, em registos claramente chill. Pelo meio, dois ou três registos mais dançantes.
Excelente aposta da Sonar Kollektiv, que rebusca nos baús da casa a boa matéria prima. Com este segundo álbum, fica a certeza que a saída dos Jazzanova foi um duro golpe para os germânicos, pois Clara está mais madura e com um grau de confiança e qualidade muito grande. Deep Café de regresso, a dar som ao Outono, sempre na vanguarda da música electrónica alternativa.

segunda-feira, setembro 25, 2006

O escocês da escola gaulesa


Seguindo na linha da label F Communications, pertença de Laurent Garnier, temos esta semana do Deep Café mais sons provenientes da mesma escola gaulesa. Entrando na onda do jazz de fusão que se mescla com a house e as batidas descontraídas do funk e soul, temos nomes de peso que se destacam há muito. Casos de Ludovique Navarre (St.Germain), o própio Laurent Garnier, e Dimitri From Paris. A eles junta-se um suspeito intitulado de Aqua Bassino (Justin Robertson)."Beats n´Bobs" em 2002 foi o álbum de estreia, que sem ser surpreendente, acabou por renovar o sangue que até então parecia ter perdido parte da sua força. Este ano de 2006, assistimos ao lançamento de "Rue de Paris". Um álbum que teima em não deixar morrer a onda dos seus antecessores musicais. É curioso que seja um escocês a assumir as rédeas do movimento, insistindo na sonoridade inebriante do jazz, soul, funk, r n´b, sempre adornado pelas doces batidas electrónicas do deep-house. Fica mais uma sugestão Deep Café, que se enquandra na perfeição para a nova temporada que aí se avizinha, o Outono. Temos sons modernos e melancólicos que contrastam com uma alegoria passageira.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Aviso...aos distraídos! Vêm aí os Hot Chip.


Apesar da geração ser a mesma, quem impôs o mote foram os LCD Soundsystem que nos trouxeram e viciaram naquela que é pomposamente designada por música de dança alternativa. Tiga e Fischerspooner também apadrinharam esta nova onda, que tem um termo excessivamente extenso mas que vai ganhando cada vez mais adeptos.
O ano passado todos delirámos ao som de "Tribulations". Este ano, a aposta vai para temas da mesma cena musical, mas com autores diferentes. É o caso do quinteto londrino Hot Chip, que nos regalam pérolas como "Over and Over" (sucesso estrondoso em clubes da Europa) e "And I Was A Boy From School", inseridos no álbum "Warning".
Esta, até nem é a estreia dos britânicos nas lides musicais. O ano passado passearam-se pelo Sudoeste promovendo o primeiro álbum da sua curta carreira "Coming on Strong". Este ano, as passagens deram-se em Julho, com apresentações na galeria ZdB e no Festival Hype @ Tejo. Poderiam ser um projecto pós-punk, funk-punk, electro, indie-electrónico-alternativo, e muitas mais coisas, mas o contrato com a DFA Records deixa pouca margem para as dúvidas da sua qualidade. Se é que ainda as há! Murphy e Tim Goldsworthy raramente se enganam e deixam-nos um selo de garantia nesta proposta, Deep Café.
Adeus Agosto, olá Setembro! Mês novo, estilo novo, no Deep Café!


quarta-feira, agosto 30, 2006

Sai mais uma restrospectiva...com muito gelo, que o calor ainda aperta!


O último post que aqui deixei, coincidiu na data, com o lançamento de mais uma retrospectiva.
E sou obrigado a utilizar esta palavra, não por falta de imaginação, mas porque de uma "Retrospective" se trata! Assim literalmente! Mais uma - dirão, e com razão. E sabem que mais? Transporta tanta qualidade que até me esqueço das minhas birras com a falta de inspiração deste ano. Se houvesse medalhas para os álbuns que saem anualmente, eu votaria a favor de um ouro pra este senhor.
Foi por alturas da "descoberta" Nicola Conte, que também conheci Laurent Garnier. A caminho do Porto, para um concerto do italiano, questionava-me quando iria ter a oportunidade de assistir ao pai de "The man with the red face" (O meu tema favorito). Ainda não tive essa sorte, mas este álbum vai compensando a espera.
Iniciando a sua carreira em 1994, Laurent Garnier bebeu de tudo o que a velha Albion tinha para lhe oferecer. Desde o house ao trance, do underground nova-iorquino, techno de Detroit, acid-house, estancando depois no jazz de fusão. Quase que dava para dizer que criou de propósito a editora F Communications, só para escoar tanta e boa música, por si produzida.
É um dos djs mais bem sucedidos e requisitados em todo o planeta, e só a sua modéstia poderá esplicar tanto anonimato (sendo um francês, isto é verdadeiramente dificil de engolir). Os exemplos de reconhecimento não precisam de vir de nós! Há quem já o tenha feito, não só aplaudindo o seu extenso trabalho, mas também encomendado produções e remisturas. Falo de nomes com tão pouco em comum, como Van Morrison e Serge Gainsbourg, ou St.Germain e Frederic Galliano.
A nós consumidores, compete-nos a função de apreciar o seu trabalho! E como a única vantagem que eu encontro num best of, é a de conhecer melhor a história de um artista, resta-me sonhar que este álbum se torne num dos mais aclamados do ano! Não por trazer algo de novo! Mas pelo tanto que já foi oferecido à música por este francês, e o distraído que alguns têm estado!
As dádivas têm o condão de serem apreciadas em data póstuma. Que o mesmo não se passe com este "Retrospective". Um álbum de temas bomba (para pistas de dança), remisturas e versões, pintado com as cores da ousadia e da versatilidade, e o arrojo de um artista de espírito lutador.


terça-feira, agosto 29, 2006

Dois em um: retrospectiva e homenagem!


Quando o meu processo de "culturização" musical rumou ao mundo dos beats computorizados e electrónicos, duas bandas surgiram à cabeça, e funcionaram como íman, apegando-me sem apelo, e sem o consequente agravo, ao que hoje é denominado por trip-hop, ou por outros por dub.
Há uns tempos falei das catalogações das músicas, e por isso não vou relembrar a minha opinião.
Essas duas bandas foram os norte-americanos Thievery Corporation, e a banda de hoje, os britânicos Fila Brazillia.
Hoje em dia, pouca visibilidade têm tido no Deep Café, e graças a Deus surge este Best Of (de qualidade, assuma-se!), para me relembrar deles, relembrá-los a vós, e mostrá-los aos distraídos! Esta retrospectiva percorre 16 anos de sucesso contínuo, iniciados em 1990, em Hull, no nordeste da Inglaterra, por Steve Cobby e Dave McSherry. Além do referido trip-hop, também é normal e frequente encontrarmos exercícios exímios de nu-jazz e ambient. Começando em "Old Codes New Chaos", a carreira destes moços promove-se sozinha com o lançamento de sucessivos álbuns, remisturas e em colectâneas da especialidade, e ainda nas bandas sonoras das séries CSI e Sexo e a Cidade. "Maim That Tune", "Mess", "Black Market Gardening", "Luck Be A Weirdo Tonight" e "Power Clown" pela editora Pork Recordings, antecedem a inauguração da sua própia label designada por Twentythree Records. Com este selo, saem mais tarde "A Touch Of Cloth", "Jump Leads", "The Life And Times Of Phoebus Brumal", "Dicks", e este "Retrospective".
Estes 10 álbuns recheiam uma carreira com sucesso e mérito, mas na verdade, também premeiam quem os acompanhou com regularidade. Os inícios contagiantes do trip-hop e do ambient-house, deram lugar a uma acalmia com sons mais acústicos, que sem retirar qualidade ao trabalho made in Fila Brazillia, no mínimo confundiu e baralhou os fãs mais conservadores. "Brazillification" foi o duplo álbum de remisturas que manteve a chama viva, e que os reafirmou solidamente, retirando a acusação de terem desaprendido com a idade. A música de dança é inconstante e àrdua, mas os Fila Brazillia são regulares na sua bitola. Esta parceria é das melhores que temos na cena electrónica, e este "Retrospective" prova-o! Sem espinhas!

quarta-feira, agosto 23, 2006

Clara Hill - Clara Hill meets Vikter Duplaix


Quem também tem novo(s) trabalho(s) é a ex-vocalista dos própios Jazzanova. Falamos de Clara Hill, que lançou "All I Can Provide" (que esperamos ansiosamente), e que simultâneamente se juntou a Vikter Duplaix, para em conjunto produzirem o sugestivo "Clara Hill meets Vikter Duplaix". Um tema só, lançado num Ep, que aporta mais duas remixes. O belíssimo "Paper Chase" encontra-se também em duas novas roupagens (Spleen Remix e Instrumental). Bom lounge atmosférico que se imiscui em dub ritmado e ambiental. Sugestões pós-férias do Deep Café, mas que ainda vai a tempo de adornar a pausa laboral de muitos, que se encontram sob o sol quentinho deste nosso quintal à beira-mar colocado.

Jazzanova - Paz e Futebol


Mesmo os que não gostam de futebol terão de admitir que as influências do Mundial fizeram-se sentir um pouco por todo o mundo e principalmente no país anfitrião. Mas felizmente, quem não gosta desta modalidade desportiva teve uma alternativa. A cargo da editora alemã Sonarkollektiv fundada pelos berlinenses Jazzanova, temos uma colecção de temas que foram recolhidos tendo como tema de fundo o futebol.
Já que os brasileiros são um dos expoentes desta práctica, a escolha recaiu sobre o samba e a bossa-nova. Jazz, drum n'bass e funk são alguns dos estilos practicados pelos Jazzanova, mas nada os impede de se movimentarem por outros meios, uma vez que a sua versatilidade assim o permite.
Jürgen von Knoblauch, Alexander Barck e Claas Brieler são os djs e a alma deste projecto que mais uma vez estiveram nos bastidores deste novo lançamento. Menos electrónico do que se poderia esperar (para um álbum comentado pelo Deep Café), é incontornável a referência a este trabalho uma vez que os Jazzanova são presença constante nas nossas playlists.
No espaço temporal que vai desde 1967 a 2003, podemos então encontrar nomes bem conhecidos e que defendem com qualidade a bossa e o samba: João Bosco, Marcos Valle, Conjunto 3D, e Djavan são alguns dos bons exemplos. É um álbum simpático que cai bem nas tardes de verão, principalmente quando estamos de férias, e ainda mais se se está na praia. Esperam-se boas remixes deste álbum, dos própios Jazzanova, e de outros nomes que compõem a editora Sonarkollektiv.

quarta-feira, julho 26, 2006

Finalmente uma colectânea digna desse nome!!!


Quando se fala de jazz de fusão, é sempre fácil recorrer a clichés como St.Germain ou De-Phazz. Mas agora...que tal recorrer a outro nome, que com apenas 24 aninhos, é dos produtores mais arrojados na onda funk e do jazz de fusão? Falamos do britânico Will Holland, que costuma vestir a máscara de Quantic, e envereda pelos caminhos mais quentes, melódicos e atractivos da actualidade.
Nas playlists do Deep Café, são constantes as presenças de temas retirados dos álbuns "5ºth Exotic", "Apricot Morning", e "Mishaps Happening". E agora, em jeito de oferta a todos os fãs, uma dupla colectânea recheada de lados B e de remisturas dos temas de Quantic, ou do própio Quantic.
Em cima falámos de clichés, mas este cliché agora é outro. É o que já falámos em relação a outros álbuns lançados este ano. Temos uma barriga farta de Best Of, ou de álbuns de remisturas de velhos temas. Este não foge à regra sagrada do ano, mas vale ouro, e vale por todos os outros. "One Offs Remixes & B-Sides" é uma excelente prova do inegável e inesgotável talento que Quantic (Will Holland), tem para oferecer ao mundo! O que mais fascina, é sua curta existência no planeta Terra, "rivalizar" com monstros sagrados da música electrónica. Este rapaz respira e transpira funk, jazz e downtempo!
Com este trabalho, Quantic atinge um nível muito maduro, só comparável a nomes como Mr.Scruff ou Oscar Sulley. E o realce vai essencialmente para o grande trunfo deste trabalho: a alma que permanece intacta, e nunca perde a identidade puramente Quantic.
No global, apenas uma palavra para o definir: Obrigatório! Até é aconselhado mesmo para quem não gosta de jazz ou funk, porque podemos ainda encontrar espalhados pelos vários temas, as sementinhas do dub, soul, bossa nova ou ambientes latinos e africanos.
Não podia ir de férias sem deixar o último post. E aviso já que a viagem será sempre ao som deste mocinho e do seu "One Offs Remixes & B-Sides".

terça-feira, julho 25, 2006

A feliz evolução de uma carreira


Fez agora pouco mais de um ano que saiu à rua, o primeiro trabalho a solo de Róisín Murphy. Quem?!...É normal...pelo nome, nem todos lá vão. Mas muitos saberão, ou passam a saber que é a vocalista dos Moloko, que arrancou para a "normal" carreira a solo.
A emancipação musical surge braço dado com o mestre Matthew Herbert. E foi graças ao post no início do mês, baseado no mais recente álbum de Herbert "Scale" que se sugeriu recuperar este "Ruby Blue".
À medida que escuto o álbum, e ao mesmo tempo escrevo este post, concluo que seria mais fácil dizer que os Moloko ficaram sem vocalista, pois esta teria-se junto a Herbert. Mas estaria a ser mauzinho e a tirar mérito a Róisín. (De facto os Moloko separaram-se, mas não por este motivo). As orquestrações à la Herbert são a grande base, e trunfo deste álbum, que funde sonoridades jazz, com R&B. O que era suposto surgir como pano de fundo, acaba por resultar como intérprete principal, numa aliciante viagem electrónica.
Sentem-se por vezes lutas de protagonismo entre a excelente voz de Róisín e as melodias de Herbert.
Este "Ruby Blue" passou sem dúvida, ao lado de 2005, sendo fundamental recuperar e recordar a sensualidade que transpira, e o carisma luxuriante que adorna e adjectiva esta fenomenal parceria. Róisín tem as portas abertas para mais álbuns de sucesso, basta continuar a escolher, e bem, as companhias musicais. Antes de fecharmos a loja, para férias (vá lá...só o mesinho de agosto), fica ainda a esperança de conseguir postar um comentário ao concerto dos Gotan Project, aquando da passagem por terras lusitanas. Boas férias, e bons sons!

terça-feira, julho 18, 2006

Voom!...Voom!...Peng!!!...Peng!!!...


Há bem pouco tempo, Peter Kruder respondeu afirmativamente a um possível regresso da dupla de maior sucesso da Áustria, Kruder & Dorfmeister. Estranhamente, e quando é suposto esperarmos por um novo àlbum, surgem obras dos seus projectos paralelos. Poderíamos atribuir a culpa do atraso a Richard Dorfmeister que só este ano, já lançou com os Tosca o àlbum "Souvenirs", e com os Madrid de los Austrias, o àlbum "Grand Slam". Poderíamos...mas nem sequer sabemos se eles de facto se vão reunir de novo! E Peter Kruder também tem culpa por este desinteresse na reunião. Os Peace Orchestra acalmaram e deram-lhe mais tempo de manobra, mas andou atarefado com o lançamento de "Peng Peng" por por parte do trio Voom:Voom. Um projecto de luxo que reúne grandes nomes da cena electrónica. Juntamente com ele operam Roland Appel e Christian Prommer (os dois alemães, mais conhecidos como Fauna Flash e ainda parte integrante de Trüby Trio, juntamente com Rainer Trüby). É sem dúvida a vertente mais dançante que Kruder nos pode oferecer. É também o àlbum mais ritmado que aqui passou pelo Deep Café. Atingimos sonoridades como o deep-house, algum electro-funk à mistura, techno à la Detroit, e house refrescante. Recheado de vozes mecanizadas e robóticas, temos ambientes metálicos e envolventes, que passam a decorações tipo lounge. A crítica tem sido impiedosa, pois como é claro, grandes nomes implicam grandes resultados, o que nem sempre acontece. Mas não considero um mau àlbum, longe disso! Depois de muitos maxis lançados, este é o àlbum de estreia, que tenta suplantar a herança deixada. E consegue ser bem consistente, e com singles que vão rodar facilmente neste 2006. As apostas vão claramente para "Sao Verought", "Best Friend", "Vampir Song" e "Baby3". Sugestão da !K7 com o apoio Deep Café, claro está!

segunda-feira, julho 17, 2006

Viena em Madrid


Tudo começou com a dinastia dos Habsburg que reinou em Espanha, e que enriqueceu a cidade, e de que forma, com palácios e monumentos. A esta época de prosperidade designou-se Madrid de Los Austrias, tudo fruto da notável obra cultural que assolou Madrid.
Séculos mais tarde, aproveitando as suas origens, e as influências das sonoridades hispânicas, surgem os Madrid de Los Austrias versão séc. XXI (MDLA), composto por Hienz Tronigger e Dj Pogo. Como padrinho de baptismo, quem melhor que Richard Dorfmeister? As raízes comuns de Viena serviram de pretesto para uma constante colaboração nos projectos dos MDLA. Funciona como o terceiro elemento, menos visível, e mais de estúdio.
Depois do muito bem recebido álbum de 2005 (Más Amor), nada melhor que seguir as tendências deste enfadonho ano de 2006, em que o mote está dado com grandes nomes da música electrónica a pouparem esforços. As directrizes estão lançadas, e o horizonte está definido com álbuns de remisturas e colectâneas. Ou seja, nada de novo! E é pena porque estes senhores já provaram ser capazes de bons resultados.
O lançamento deste album, coincide propositadamente com a temporada do ténis austríaco. Mas "Grand Slam" coincide com algo mais. Entra no jogo pouco original dos serviços perdidos, e dos Aces deseperados, em busca de tempo e recuperação. Desnecessáriamente!
"Grand Slam" baseia-se em dez temas, cuja divisão 5/5 vai para remisturas de originais dos própios MDLA, e as restantes mixes para temas dos Koop, Pressure Drop, Zero 7, Groove Armada e Willi Bobo. Boas remixes, numa tracklist poderosa, é certo! Mas há também um amargo de boca quando se esperava algo de novo e original para este Verão. No entanto, no meio de tanta pobreza na cena músical electrónica, salva-se a honra do convento (ou do set, se preferirem termos tenísticos), porque mesmo não sendo um album extraordinário, acaba por ser dos albuns mais alegres e frescos, editados ultimamente pela G-Stone.
Uma nova remistura para Valdemossa, a tal da participação da voz de Pelé. Muitos apontamentos Dub e Deep-House, definem os padrões de "Grand Slam". Espaço ainda para um cheirinho jazzístico em "Relaxin´at Club Fusion" e funk em "Boogie No More".
Mais uma recomendação com selo Deep Café, que apesar de ter suspendido a emissão semanal na RUBI (por motivos de férias), promete regressar em breve.

quinta-feira, julho 06, 2006

A primeira publicidade do Deep Café

Com pouco orçamento, ou mesmo quase nenhum, lá conseguimos a nossa primeira publicidade! É kitch, naif, folclórico...o que quiserem chamar, mas tá giro! Cá vai então...e emitido na Bombay TV! Ahhh...apoios precisam-se!

segunda-feira, julho 03, 2006

Uma escala bem descontraída


O compositor Matthew Herbert lançou em finais de Maio, o seu mais recente álbum "Scale", que passa a integrar uma longa lista iniciada em 1996 que já passou a dezena.
Talvez também o conheçam como Doctor Rockit, Wishmountain, Radio Boy ou Transformer. Sendo considerado o mais acessível e mais orelhudo, este "Scale" conta com a participação de Dani Siciliano, a sua companheira sentimental e musical.
Apesar destes pseudónimos todos, Herbert foi sempre o mesmo desde o início da carreira, e até aos dias de hoje. Musicalmente falando, os seus passos são dados pelas coordenadas da electrónica experimental, house, tecno e jazz melódico. Torna-se ingrato e suspeito falar deste britânico pois é o caso típico de uma dicotomia Amor/Ódio. Para muitos é um mestre, mas arrojado também é um apelido que se adequa, quando não se consegue definir a sua música.
É por isso que este álbum é a odisseia mais tranquila e calma que podemos apreciar. Algo do género de uma miscelânea pop com alma, fusionado pelas linhas da integridade, inteligência e engenho. O sucessor do arrojado «Plat Du Jour», de 2005, conta com uma grande curiosidade que é o uso de 723 objectos/sons diferentes para a sua composição, a que se adicionam as colaborações de Neil Thomas e Dave Okumu.
Escala, a tradução literal para este àlbum deve-se à tentativa de exploração de conceitos como a distância. O interesse do compositor está depositado na ideia de escala, em que por exemplo, ao piano, a cantar é uma única unidade musical, enquanto que noutras canções essa escala é aumentada, existindo 80 ou 90 pessoas a tocar numa orquestra, em que se utilizam 300 pistas de áudio. A aposta desta semana no Deep Café passa por este "Scale", assumidamente desinteressado nos riscos da produção descontraída de um àlbum (tendo em conta o gabarito do autor), e que pode por isso, atrair e provocar a curiosidade do público. Muito Jazz de texturas luxuriantes, alguns ritmos sensuais baseados no house, e os "normais" ruídos electrónicos das orquestras de marca Herbert. Quem não o conhece, aproveite para se iniciar agora!

terça-feira, junho 27, 2006

Visita ao jardim do Éden


O regresso em 2006 da dupla britânica Henry Binns e Sam Hardaker, está assombrado pelo espectro do último encontro. "The Garden", é o terceiro registo da dupla, que tem segundo muitos, aspecto de ser o último (sinceramente, parece ser mais um bluff da indústria musical).
Dois anos depois de "When It Falls", encontram-se bem delineadas novas abrangências sonoras. Elementos orgânicos conferem um ambiente acústico que se imiscuem nas tendências psicadélicas.
O som apesar de tudo, revelam-se mais em linha de continuidade que de mudança. Podemos contar com o bom chillout e downtempo a que nos habituaram, sendo adornado com pequenos motes trip-hop. Como sempre, na parceria vocal temos Sia, a quem se junta José Gonzalez, músico sueco.
Esta simbiose de novos elementos com a alma original dos Zero 7 gera uma pequena e estranha crise existencial. Não deixando de ser um bom àlbum, é evidente que se ambiciona algo mais que aquilo que os popularizou. Fica a questão se seguirão os pergaminhos do muito bem sucedido "Simple Things" (rota escolhida por muitos projectos musicais este ano, que regressaram às origens), ou se optarão por pisar terrenos novos e desconhecidos, sujeitando-se a uma operação plástica de personalidade e carácter musical. Se tivéssemos apenas a soul e a folk para nos ajudar, estaríamos em apuros, pois encontram-se em doses iguais e não permitem grandes distinções. Mas as recordações ao álbum de 2001 "Simple Things" e as comparações com a pop francesa, fazem a balança pender para a opção um. A questão é difícil demais para uma resposta de cruzes, que poderá ser ponderada sem prazo de validade.

Catalogações - Um mal necessário?

Apesar de aliciante, este é o tema que desde sempre considerei dos mais controversos e complicados de debater: a catalogação constante da música actual.
Quem vagueia pelo mundo da música, sabe que ela se divide em grupos, vertentes, estilos, modas, géneros, etc... Pior ainda, é quando entramos neste blog e constatamos que dentro da electrónica surgem um sem fim de marcas, que apelidam as habilidades sonoras dos projectos e grupos mencionados.
Não há dúvidas que a fusão é a principal arma da música electrónica, e a partir de uma base como a música de origem hindú, do tango, do fado, do jazz, do flamenco ou tribal, podemos criar uma obra prima simplesmente adicionando-lhe uma batida trip-hop ou um ritmo lounge. Mas também não há dúvidas que esta saturação de catalogações é da responsabilidade da indústria que procura incessantemente novos artistas, e por arrastamento, novos estilos e géneros, sempre na ânsia de surpreender. Temos o chillout, que se ramifica em downtempo ou ambient, temos o lounge que também pode ser deep-house, há o trip-hop agrupado com o dub, o jazz de fusão ou nu-jazz, o electrofunk, e como se não fosse suficiente e ridiculo, aparecem o chillhouse, o electrodub, e outros mais, mas que não disfarçam esta aparente fusão da fusão.
Até que ponto não será perigoso etiquetar cada àlbum que sai, ofuscando o nome do artista ou do projecto? Até que ponto não será complicado entrar numa roda, cujo ciclo nos conduz à origem? Será o resultado (mais um) da globalização?
A opinião do Deep Café é a mesma de há uns anos atrás. Vivemos em excessiva atribuição de estilos, que não são novos, apenas possuem uma roupagem nova e fazem-se passar por atracção momentânea.
Deixem os vossos comentários e opiniões. O debate a vós pertence.

sexta-feira, junho 16, 2006

Reset 2006


Vai ter lugar na próxima terça-feira, dia 20 de Junho, por volta das 20h, a inauguração do Reset 2006 - II Mostra de Projectos de Finalistas de Design & Multimédia.
Em simultâneo, serão também exibidos e projectados filmes de alunos de Cinema.
Este evento irá decorrer entre os dias 20 e 25 de Junho na Parada (Polo 1) da Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã. Sob a orientação do Departamento de Comunicação e Artes, todos os dias serão preenchidos por mostras de Design & Multimédia, projecções de filmes e debates com os respectivos realizadores.
Destaque, claro está, para a Chillout Party que vai ocorrer no primeiro dia do evento, por volta das 22h, e que contará com a minha presença (Dj_Fly) como um dos Djs de serviço, e em representação da RUBI/Deep Café.
Para mais informações fica o contacto telefónico: 275.319835 e 275.319825, ou então www.ubi.pt

quarta-feira, junho 14, 2006

XVII Emissão

Nouvelle Vague - O Pamela
Telepopmusik - Last train to wherever
Nitin Sawhney - Sunset
Madredeus - Andorinha da Primavera (Dusted Mix)
Yonderboi - Amor
The Karminsky Experience Inc. - Departures
Jazzamor - Fly me to the moon
Dusted - Always remember to respect and honour your mother
Lambchop - Up with people (Zero 7 Mix)
Thierry T. - Barco Negro
Digital Analog Band - The million euro weekend
Bossacucanova - Lounge W
Bangguru - Time Loser
Thievery Corporation - From creation
Kinobe - Mama´s girl
Groove Armada - My friends (Dorfmeister & MDLA)
Tiefschwarz - Fly
Mylo - Musclecars (Reverso 68 Mix)
Jay-Jay Johansen - Forbbiden Words
Tosca - John Lee Hubber (Rodney Hunter Mix)
Boozoo Bajou - Blast
Cinematic Orchestra - Channel 1 Suite
Zuco 103 - Peregrino
Nacho Sotomayor - Y por que te quiero
Mirwais - Disco Science

segunda-feira, junho 12, 2006

Gelatina de limão, refrescante e inovadora!


É curioso falar dos Lemon Jelly, pois para muitos são os Led Zeppelin da música eletrônica.
Sem a presença de Robert Plant e Jimmy Paige, este projecto rock-electrónico é formado por Fred Deakin e Nick Franglen que, além da música, se encarregam dos projetos gráficos e da embalagem de todos os seus lançamentos. Deakin é o DJ e designer, tendo no seu currículo uma prestigiante relação com a revista "The Face". Por seu turno, Franglin é um produtor que tem como orgulho pessoal, a honra de trabalhar com Björk e Primal Scream.
Lançado o ano passado, temos à nossa disposição "64-95". Um àlbum simples, com temas de base eletrônica, e criadas sobre samplers de canções de uma vasta colecção particular da dupla inglesa. Apesar de ser considerado o terceiro álbum dos Lemon Jelly, na verdade este é mesmo o segundo disco de originais, já que o primeiro editado em 2000, era na verdade uma espécie de colectânea dos primeiros singles do grupo inglês.
A comparação com os Led Zeppelin começa na sua ambição e vontade de fazer rock'n'roll épico para encher estádios, mas sem nunca descurar a vertente electrónica que são os pilares do seu trabalho. Mesmo assim achou-se necessário colocar um aviso na capa do álbum dizendo que "o novo álbum de Lemon Jelly é diferente do anterior" (Lost Horizons de 2002). Lançado pela editora independente inglesa XL Recordings, "64-95" apresenta nove faixas de músicas que vão de swing/dub, ao estilo tech-house, passando pela tradicional batida do rock. Todas começam em formato "crescento" adicionando em formas sobrepostas instrumentos, sons e efeitos recreativos.
Segundo o site da dupla, "64-95" é um álbum baseado em samplers provenientes da colecção particular de vinis. Assim se explicam os títulos das faixas. Cada um traz o ano da música sampleada e o apelido da música: " '88 aka Come down on me", retirado da música "The Blue Garden" de 1988, da banda norte-americana Masters of Reality. Não se esqueçam de conferir o single (belíssimo, por sinal), que cheira a algo épico "Come down on me".
A parte gráfica do novo álbum é apetitosa, colorida e traz o título dos álbuns em forma de ilustração, um paralelo com as próprias músicas, onde o vocal não é cantado e sim ilustrativo. No final, o único aspecto negativo prende-se com o já referido site oficial da banda, que está sediado nas Ilhas Caimão, um conhecido offshore. O problema não é esse, mas sim que é deveras decepcionante, tendo em consideração os projetos gráficos da dupla. Esta página digital fica aquém das espectativas, mas não há nada melhor para quem quer mais e melhores informações dos Lemon Jelly que recorrer ao site da editora XL-Recordings.
Como sempre, o aval do Deep Café fica dado, proseguindo a apreciação nas emissões da Rubi.


quinta-feira, junho 01, 2006

Alma Lusitana, corpo mundial...


Não é própiamente uma novidade, e seguramente já muitos travaram conhecimento com esta "recente" forma de música electrónica. Falamos do Chillfado, que surgiu há sensivelmente 2 anos.
Tão simples quanto possível, é a fusão entre a música mais clássica e genuína que possuímos, e o estilo musical que este blog retrata, a música de vertente electrónica. Há casos posteriores que também poderiam receber algum destaque, tais como A Naifa ou Donna Maria, mas foi mesmo este projecto que trilhou pergaminhos, e que preencheu a lacuna que faltava.
São notáveis as marcas da promiscuídade do reggae, bossa-nova, jazz, flamenco, oriente (Indía e China), entre outros, com a música designada como chillout, ambient, dub ou trip-hop. Nesta linha de pensamento e actuação, era óbvio que deveriamos oferecer ao mundo o que de melhor temos: o fado. É a nossa herança cultural que se funde com o jazz, algum blues,e muito dub e chill Out.
Assim, a lógica recaiu sobre os grandes nomes da cultura fadista. É incontornável não referir os nomes de Amália Rodrigues, Zeca Afonso, Carlos Paredes. É um àlbum que se estranha ao inicio, mas o própio Fernando Pessoa dizia que primeiro estranha-se, e depois entranha-se. E o certo é que ao vivo, o espectáculo supera o àlbum de uma forma trancendente. As vozes de Viviane (Entre Aspas), Paulo de Bragança, e Wanda Stuart transfiguram-se e confundem o habitual consumidor pop.
Além destes, outros nomes também reforçam a selecção de tugas que defendem o fado: Mariza, António Pinto Basto, e Carlos Maria Trindade. Entre os produtores, alguns já se encontram na galeria dos reconhecidos. Renoiser armazena experiência com os ColdFinger e os Lisbon City Rockers, enquanto que Thierry T. foi quem lançou o primeiro àlbum de House em português. Outros nomes vieram de longe, mas com a mesma ânsia de trabalhar esta nova vertente musical. Falamos de Fidu e Eddie Jam, Moçambique e Bélgica respectivamente.
É certo que os conservadores poderão nem sequer piscar o olho a esta novidade, mas em benefício da dúvida, nada melhor que verificar por vós própios. Não é um excelente àlbum, é certo, mas é o primeiro passo, e o mais importante, para infiltrarmos o nosso dedo nas miscelâneas que já existem.
Claramente uma das aposta do Deep Café, que em jeito de mea culpa aqui tráz a nobre homenagem que o Fado merecia. Versão Electrónica.

quinta-feira, maio 25, 2006

É a crise, é a crise! Mais parece um vírus!



Swayzac é um projecto bem conhecido por não se prender a géneros e muito menos a catalogações.
Formado por James Taylor e David Brown, no final da década de 80, entretinham-se a misturar ambient a hip hop. Por aquela altura, o trip-hop dava os primeiros passos, e eles juravam que não tinham nada a ver com a entrada em cena de mais um estilo musical. E não tinham mesmo. É que os Swayzak passeiam-se entre os entre vários estilos, sem nunca aí residir definitivamente. Criam atmosferas! É esse o seu mundo.
Dífícil é acreditar que estes senhores deambulam tanto que dentro da música electrónica acabam por praticar estilos tão díspares como o tecno, tec-house, house, electro, ambient e chillout.
Depois de tantas misturas, subsiste a ideia que ficaram estacionados num dub techno minimalista, com características bem fortes e evidentes nas linhas de baixo, vocais com efeitos e ecos. Este “Route De La Slack” surge depois de quatro álbuns e uma série de remisturas. Remixes EP e Rarities EP, O primeiro, como o próprio nome diz, contém os melhores remixes da dupla. Já o segundo disco traz faixas raras ou nunca antes lançadas. Básicamente, e numa opinião modesta, estas músicas são uma tentativa da dupla se reinventar. É a inevitável retrospectiva que se poderia intitular "Best of". Acaba por ser um álbum desequilibrado, que se junta a tantos outros que este ano têm visto a luz do sol...mais parece que mereciam a luz das trevas!
Enfim, e como nem tudo é negro, a matéria-prima alheia resulta numa primeira parte satisfatória, onde a imaginação anda a par com a magnífica capacidade técnica da dupla em concretizar as suas ideias. O pior vem com os lados B. Dúvidas conceptuais que hesitam em hipotéticas certezas. São excelentes ideias mal concebidas, um amargo contra-senso perceptível na confiança exagerada da programação. Nem sempre quantidade é qualidade, e ao menos este álbum, se tiver algo de útil, é de servir de mau exemplo.


E já que este ano, decididamente, são vários os projectos que nos privaram da sua veia artística, resta-nos acalmar as tribos. É que ela existe, mas numa componente mais modesta e "lazy". É o mesmo vírus que atacou os Nightmares On Wax e os Thievery Corporation. Agora é chegada a vez dos Swayzac e dos Tosca de Richard Dorfmeister e Rupert Huber. Depois dos britânicos, arrancamos para os austríacos. "Souvernirs", em vez de ser um "Best Of", colectânea ou retrospectiva, é nada mais nada menos que um exercício de remisturas, não de temas de artistas famosos, mas sim do último álbum "J.A.C." de 2005. Meu Deus, há assim tanta falta de inspiração, ideias, formatos, projectos ou concepções?!...É certo que no álbum há nomes sonantes como Stereotype, Rodney Hunter, Henrik Schwarz, Madrid de los Austrias, mas grandes ingredientes nem sempre fazem um bom bolo! Ajuda, mas não chega!
No mundo da música, existe o sub-mundo da remistura. Vivem em simbiose e de mãos dadas.
O problema é quando temas deste álbum se afastam do tema-base e reforçam o cliché que o original é sempre o melhor. É pena, mas a falta de criatividade só gera uma situação: boas remisturas, bem interessantes, mas que poderão correr sérios riscos de serem ouvidos uma só vez.
A realidade é esta, e aqui no Deep Café esperamos por melhores dias. A música somos nós, e todos nós temos altos e baixos. Como sempre os melhores àlbums serão escutados nas galerias do Deep Café...e de agora em diante...os menos bons também!

segunda-feira, maio 08, 2006

Querem crise? Tomem lá crise!


Depois de um àlbum que vende mais de 100 mil cópias só nos E.U.A. (The Cosmic Game - Fev.2005), a fasquia sobe de forma considerável. Mas não é nada de mais para quem sempre foi fiel ás suas origens e às linhas mestras do projecto Thievery Corporation (TC).
Contudo, e apesar do contínuo sucesso de vendas, a critica a cada àlbum é sempre a mesma, agravando-se na dureza e na agressividade. Já se diz que este àlbum poderia ter saído há 10 anos que ninguém notava. A vida de um artista é assim mesmo e Eric Hilton e Rob Garza, já devem estar bem habituados.
Para quem não sabe, estes americanos sempre foram defendidos no Deep Café, e esta vez não será excepção. A realidade é esta: os TC passam por um momento de falta de inspiração! É um facto! Mas não deixaram de fazer boa música! Um caso semelhante foi aqui retratado no blog, e que se passa com os britânicos Nightmares On Wax. Com os TC surgiu um novo trip-hop que angariou subditos em todo o mundo, e empolgou (e de que maneira) os amantes mais conservadores de Massive Attack e Portishead. A realidade (a meu ver) é que esta encruzilhada criativa tem uma explicação simples. Este àlbum é um passo ao lado e não em frente. Não é suposto ser uma novidade ou uma nova fase. É apenas o responder a um pedido que foi feito à medida que os TC iam crescendo e se iam notabilizando! As encomendas surgiram em própia mão por nomes como Norah Jones, Astrud e Bebel Gilberto, Isabelle Antena, entre outros, que queriam os seus temas com novas sonoridades, e em roupagens mais jamaicanas e brasileiras. Assim sendo, quem melhor que os TC? Todos conhecemos as suas obras que transpiram dub, reggae, hip-hop, bossa-nova e funk! Não há crise! Não se assustem!Não vejo este hiato como uma crise. É certo que há desgaste e pouca evolução, mas o lado positivo é revelado em remisturas raras nunca editadas, com o ecletismo como base comum.
Astrud Gilberto sai vencedor por K.O. pois "Who needs forever" é uma revigorante proposta plena de variações! A cada um deixo o critério de avaliação, mas em abono da verdade, temas como os de Nouvelle Vague e de Emilie Simon, ainda vão embalar muitas tardes de pôr-do-sol. Do único original incluído no disco, resulta uma bem sucedida parceria com a lenda do reggae Sister Nancy. É aqui que confiamos que o bloqueio criativo não será a fatalidade irremediável por muitos temida.
Aos já bem dissecados "Sounds from the Thievery Hi-Fi", "The Mirror Conspiracy", "The richest man in Babylon" e "The Cosmic Game", junta-se agora este "Versions", e que para quem precisa se confirmação será já apresentado ná próxima emissão do Deep Café. Boas visitas nas galerias do Deep Café...

quinta-feira, maio 04, 2006

El tango no muere!


No longínquo ano de 1998 surgiu um dos grandes projectos de musica electrónica que consegue cativar qualquer leigo, ou o mais distraído seguidor de música.
Foi pela ideia do guitarrista Eduardo Makaroff que tudo começou. Ele conhece Philippe Cohen-Solal, músico e fundador do selo discográfico Ya Basta!, que por aquelas alturas trabalhava com o suiço Christoph Müller. Um provém de Buenos Aires, e destacou-se no mundo do rock, mas ingeriu tango. Os outros dois são sócios há alguns anos, escultores de vinil e artífices de sons. Assim, decidem pôr em comum as suas habilidades com o propósito de elaborar uma síntese inédita, entre tango e música electrónica. Criam o nome: Gotan, inversão das sílabas de "tango", em alusão ao modo de falar que se usa tanto em Paris como em Buenos Aires.
Os dados estão lançados, e na boa verdade, o jazz de fusão deu um bom mote com exemplos práticos como St.Germain ou De-Phazz. Seria a vez do tango se insurgir no meio da electrónica actual.
Através de experiências com clásicos, como "Vuelvo Al Sur" de Astor Piazzolla, compositor que soube impôr o novo tango, decidem aproveitar o espírito, em detrimento das letras. Convocam uma equipa de entendidos: uma espanhola, uma violinista de formação clássica, um par de argentinos de París (Nini Flores no bandoneão e Gustavo Beytelmann no piano). Esta selecção teve o condão de abordar o desafío rítmico com as orientações adequadas. Só por sí, o dub será o factor de união indispensável, e a pedra fulcral que suportará todo o mecanismo de invenção e produção.
Depois de provetas e tubos de ensaio, consegue-se "Vuelvo Al Sur", com direito a um lado B, "El Capitalismo Foráneo". O desfile de grandes temas prossegue com "Tríptico", "Santa María (del Buen Ayre)", etc. Pressionados a lançar um àlbum surge"La Revancha Del Tango". Estamos no ano de 2001.
Mais tarde, em 2004, sai um DJ set de Gotan Project seleccionado e misturado por Philippe Cohen Solal.Durante a tourné (2001-2003), Philippe Cohen Solal desejou juntar grandes temas numa compilação « Inspiración • Espiración ». Este projecto reune dois temas originais de Gotan Project com tangos raros e funky, versões inéditas confrontadas com as novas tecnologias da música electrónica.
Agora em 2006, eles são os mesmos mas diferentes. Mais maduros, sóbrios, e com a experiência adquirida nos 5 anos de tourné pelo mundo, acumulada em aeroportos ou estúdios obscuros. O própio single de estreia -"Diferente"- o indica. Continuam grandes compositores com os mesmos pretextos melódicos que se inspiram nos maiores de todos os tempos como Carlos Gardel, que influencia o título do álbum, "Lunático" (o nome do cavalo de competição de Gardel). Para este novo álbum, o trío reforçou a sua colaboração com o pianista Gustavo Beytelmann, um argentino que vive em París há mais de 25 anos. Sem esquecer as canções e letras agri-doces que Cristina Vilallonga dá vida e voz. Mais um disco genial deste projecto franco-argentino que nos deixa a sensação que o tango não morreu! Reinventou-se como Lavoisier dizia: nada se perde, tudo se transforma!Estreia do àlbum "Lunático" já na próxima emissão do Deep Café, com claro destaque para o single "Diferente".

segunda-feira, abril 17, 2006

Reunião de bens adquiridos



Quando se começa um projecto musical, poucos conseguem adivinhar o seu futuro, e mesmo os mais optimistas não arriscam a cair no ridículo e na humilhação de um palpite exagerado. Há 15 anos atrás foi assim em Bristol. Uma banda que edita com sucesso repentino "Blue Lines", e que ninguém pensaria no início dos anos 90, que chegaria a este ponto, eleitos como os autores de uma estética e de uma linguagem pop, por vezes sombria mas sempre brilhante, e que se orienta pelas linhas mestras do hip-hop, reggae, soul, rock e downtempo.
Eles são os Massive Attack, uma banda de inglesa, pais do trip-hop britânico, a par dos Portishead. Oficialmente são compostos por 3D (Robert Del Naja) e Daddy G (Grant Marshall). Horace Andy tem uma importante participação em todos os álbuns da banda, assim como Nicolette. Realce para os ex-Massive Adrian "Mushroom" Vowles e Tricky, também eles consagrados na cena electrónica mundial. Apesar de fundados em 1987, só em 91 editam o primeiro álbum, seguido de "Protection" (1994), "Mezzanine" (1998), "100th Window" (2003), "Bullet Boy" (2005). Pioneiros no género, apenas dois nomes rivalizam com os autores de "Collected", os já referidos Portishead de Beth Gibbons, e a dupla de Washington Thievery Corporation.
Hoje em dia, 3D encontra-se cada vez mais isolado na criação do projecto. Mas nem sempre foi assim. As canções eram uma constante libertação, dando a entender existir uma linha condutora da madureza dos anos com a alma. Tornaram-se célebres as parcerias com nomes de luxo. Convidados de primeira classe, que se enquadravam na filosofia de cada tema. Contudo, depois de Shara Nelson, Tony Brian, Nicolette, Tracey Horn (Everything But The Girl), Elizabeth Fraser (Cocteau Twins), Sara Jay e Sinead O'Connor (isto já para não falar de Horance Andy ou de Tricky), a banda de Bristol conseguiu ser ainda mais caprichosa e convidar Terry Callier para cantar o seu novo single «Live With Me», que serve de amostra para este "Collected". O tema é simplesmente brilhante, com uma alusão óbvia às sonoridades de “Blue Lines”.
Além dos clássicos, encontramos lados B e raridades, e claro está, o DVD acoplado que nos concede um bilhete mágico para uma viagem pelo imaginário cuidado dos telediscos do grupo.

É esta a proposta da semana, com natural destaque no Deep Café de quarta-feira.

quinta-feira, abril 06, 2006

Com flamenco na veia


O Flamenco é uma arte do sul de Espanha, nomeadamente da Andaluzia. Divide-se em três partes que são o canto, o baile e a guitarra. As primeiras informações acerca desta forma de cultura datam do ano de 1774, quando Cadalso escreveu as "Cartas Marruecas" e atribui as culpas aos ciganos por esta peculiar forma de manifestação social e cultural.
Séculos depois, pelo ano de 2002, a transformação dá-se, e o flamenco reinventa-se! Surgem uns malaguenhos que fundem o flamento gitano com o chillout moderno. O resultado é "Flamenco Chill". Oito temas originais inseridos numa colectânea de música de inspiração flamenca. Daí saem grandes hinos como "Instinto Humano" e "Verde Mar".
De imediato são considerados os pais do FlamencoChill, em que as notas do flamenco se mesclam com os sons e ambientes do chillout e lounge. Impulsionados pelas mais de 90.000 cópias do primeiro álbum, partem para uma nova obra-prima. Finalizado em 2004, sai ao mercado "Endorfinas en la mente".
O que outrora foi um projecto arrojado e arriscado, passou com segurança e mestria a ser uma orientação na música electrónica actual. Melodias com raiz, elegância e frescura, tradição e modernidade. O fantástico "Ahí estás tu" imortalizou-se através de publicidades, colectâneas e expansão radiofónica! Como sempre o será, a música de novo demonstra como pode ser intemporal e se adapta sem pudores às novas exigências e modas. Atenção às vozes de Eva Jimenez e de Mari, cristalinas e limpas como as águas da costa andaluza. Realce para a continuidade dada em 2005 com o mais recente álbum da carreira dos Chambao "Pokito a poko". Em breve, e no seguimento da musica electrónica de fusão, o devido realce ao nosso projecto nacional e original Chillfado.

terça-feira, abril 04, 2006

I´m not a monkey...


Bonobo, o chimpanzé anão, é um primata oriundo do centro do continente africano. Bonobo, o artista da Ninja Tune, desde 1999 que colocou Brighton no mapa da cena musical electrónica. Simon Green, é o nome deste produtor, músico e Dj. Pouco ou nada podemos comparar entre estes dois seres, senão mesmo o facto de se encontrarem em vias de extinção. Com o calor e glamour dos filmes franceses dos anos 60, e o sabor do hip-hop horizontal, Bonobo, aglutina o melhor que ainda se faz na Ninja Tune com os últimos traços do chillout inteligente.
Tudo começou com a compilação "When Shapes Join Together", do selo Tru Thoughts Recordings. A Mute desafiou-o para voos mais altos, mas a confirmação da qualidade de Simon em "The Scuba EP" e do single "Terrapin", blindou definitivamente a saída desta editora. O progresso e evolução na Tru Thoughts e Ninja Tune resultam no álbum de estreia "Animal Magic". Como armas e argumentos, Bonobo apresenta downtempo de bom arcaboiço, dub de bom sangue, funk e low-fi q.b.. Beats de algodão, melodias indeléveis e evocações cinematográficas - Eis uma noite Bonobo!
O ano transacto foi lançado o álbum de misturas "Live Sessions EP", mas nem mesmo os vários Ep´s, singles e misturas ao vivo retiram a importância e protagonismo que "Dial 'M' For Monkey" consegue ter.
Músicos certos, escolhidos a dedo, ensaios pagos do própio bolso, e actuações ao vivo memoráveis são os ingredientes que fortalecem o sonho de um artista. Trabalhou no anonimato, o que lhe proporcionou a segurança suficiente para trabalhar à vontade. E depois dos shows em Glastonbury, The Big Chill, Jazz Cafe, e sets exóticos da Italia à Russia, a madurez bateu-lhe à porta! Novidades, muitas! Misturas pesadas de hip-hop, jazz em doses light, broken beats, Latin, e a funk e soul costumeira.

Mais uma sugestão Deep Café, que por mais tempo que passe, terá sempre na sua playlist o som terno e doce de Flutter. Regresso embalado a uma possível infância e meninice!

quarta-feira, março 22, 2006

África veio até nós!



Ainda hoje, na emissão do Deep Café, comentei o quão negro e soul soa este disco. Rodei "I am you" e no ar ficou aquela sensação Motown que caracterizou muitos discos da soul e r n´b americana. Mas o novo album dos Nightmares On Wax não é só isso! Esse foi o som que sempre definiu a banda de George Evelyn e Kevin Harper. O novo álbum é soul de Motown, é reggae das Caraíbas, é cultura negra, e acima de tudo um excelente passeio pelas raízes africanas.
A Word of Science celebrizou-se por apontar novos caminhos para a cena electrónica, através do assumido experimentalismo downtempo a servir de base aos elementos hip-hop e electro-funk. Smoker's Delight, define-se como álbum de hip hop instrumental, muito apegado aos samplers e sequenciadores. Carboot Soul, o terceiro álbum peca por não inovar, algo a que os Nightmares on Wax habituaram os seus seguidores. Em 2000, Evelyn convida os míticos De La Soul para participarem e produzirem o EP, The Sound of Nightmares on Wax. Segue-se o contributo para um volume da série DJ Kicks e finalmente, o quarto álbum de originais Mind Elevation.
A evolução pode ser lenta, ou até mesmo nem exisitir, mas subsiste o mérito de fazerem música tão coerente, vinda de influências tão dispares. E não se pede mais a quem tem esta visão da música. Pois como eles própios afirmam, a música de hoje em dia é inspirada no passado e nas vivências. E seguimos as tradições, bebendo da inspiração dos mais velhos, embarcando num ciclo perpétuo.
Mais um ábum a ser visitado nas galerias do Deep Café.

quarta-feira, março 15, 2006

Chillout ao pôr-do-sol...à beira-mar

1978 foi o ano que marcou a vida de 3 jovens, que partiram das Ilhas Canarias e poisaram em Ibiza, apaixonando-se pela vida nocturna de San António. Essa paixão, converte-se no desejo de abrir um bar que se afirme pela irreverência e dinamismo nocturno.
O local, situado no meio de rochas milenares banhadas pelos ventos e marés do Mediterrâneo torna-se objecto de trabalho do arquitecto Luis Guell. Na companhia dos amigos Ramón Guiral e Carlos Andrea, o especialista em interiores desenvolve um ambiente de nuvens, erotismo e sensualidade, adornado por um pôr-do-sol que todos os dias os surpreendia, e os convencia da necessidade de terminar este projecto.
A 20 de Janeiro de 1980 é inaugurado Café del Mar, em San António de Portmany.
A fama dissemina-se, e a presença de personalidades da cultura, da literatura, boémios e intelectuais gera uma agradável convivência, até ao mais vulgar plebeu...E o motivo é o culto a um pôr-do-sol muito especial. E como é claro, tudo isto se passava ao som da melhor música. Jazz, clássica e blues foram os antecessores do famoso Chillout que tornou esta casa ainda mais famosa. Estas músicas e o pôr-do-sol deram fama e uma notoriedade diferente a este lugar mágico.
Café del Mar assinalou em 2004, 25 anos de existência, sempre ao ritmo da melhor música electrónica. Ao longo dos anos foram editados àlbuns atrás de àlbuns que são trabalhos de inegável valor.
Apesar da genuína casa ser em Ibiza, as vicissitudes do negócio conduziram à abertura de franchisings em Gerona (Café del Mar Empuriabrava), Alicante (Café del Mar Altea), e Ilhas Canárias (Café del Mar Lanzarote). E para levar o espírito e filosofia mais longe, foram dadas festas nos mais variados pontos do globo:
•San Francisco (USA)
•Belgrado (Servia)
•Bruxelas (Bélgica)
•Dubai (EAU)
•Cairo (Egipto)
•Cannes (França)
•Moscovo (Russia)
•Atenas (Grécia)
•Roma (Itália)
•Riccione (Itália)
•Porto Empedocle (Itália)
•Palermo (Itália)
•Santander (Espanha)
•Almería (Espanha)
•Kuala Lumpur (Malásia)
•Bialobrzegi (Polónia)
•Argentina
•Uruguay
Mais que uma marca ou casa, Café del Mar tornou-se um estilo de vida, uma maneira de estar na urbe, filosofias antigas que se fundem na era-moderna e se reflectem no ambiente e na sociedade. O espírito é único, e a prova disso, são os mais de 4 milhões de pessoas que já passaram por Ibiza, e ao som das melhores melodias, assistiram nesta simbiose naturo-humana, a um dos 9132 pôres-do-sol registados até 20 de Junho de 2005. Nunca desprezem uma oportunidade de escutar um àlbum Café del Mar. Colectâneas do melhor Chillout e Lounge, tranformados em hinos sensoriais e que nos fazem divagar pelos montes de Katmandu, ou mergulhar nas ondas da Polinésia. E muito menos desprezem a oportunidade de entrar no mundo Café del Mar...

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Ataque germânico


Apesar de ser em cima da hora, o motivo deste post prende-se com a visita dos Boozoo Bajou à nossa terrinha! É mesmo, os germânicos Bei Florian Seyberth e Peter Heider, face e coração dos Boozoo Bajou decidiram regressar a este quintal com vista para o mar.
Espera-se algo bem eclético. As inspirações multiétnicas e ritmicas de "Dust My Broom" são o seguimento do aclamado àlbum de estreia "Satta". Como sempre, a inevitável catalogação do estilo leva-nos a uma "never ending story". Florian tocou em grupos de Reggae, e Peter de Trip Hop. Esta fusão de experiências, e de aventuras em longas viagens desenvolveu uma sonoridade claramente chill. Assim, se há projecto difícil de definir, estes alemães são bom exemplo (ou mau). Passam pelo jazz, blues e soul de orientação Americana, baixam à Jamaica para beber do Reggae, trazem Bossanova do Brasil, e juntam tudo para nos surpreender com composições que arrepiam.
O single de estreia é "Killer", mas optámos por um "Moanin´" que rodou nas tardes do Deep Café com grande sucesso. Oiçam com atenção os dois àlbuns e deixem os vossos comentários.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Compor uma mudança! A mudança...


Das mais belas iniciativas do ano transacto surge um composto de mudança. O objectivo, promover a língua portuguesa no mundo!
A lusitanidade surge transfigurada, com uma estética moderna, e que se adapta às andanças contemporâneas. Dá-se uma nova vida a 10 poemas de escritores nacionais. Em nome da transformação...E já Camões sabia que "todo o mundo é composto de mudança".
Esta proposta, devemos agradecer a vários músicos e artistas portugueses que decidiram revitalizar 10 poemas de consagrados autores nacionais. O álbum, não mais que uma justa homenagem à lusitanidade, ao orgulho poético e à sabedoria da composição, consagra junto das novas gerações poemas de escritores como Luís de Camões, Florbela Espanca, Almeida Garret, Alexandre O'Neill ou Ary dos Santos.
Mais que uma lição de Português, que já nos bastam as horas nas salas de aulas, há aqui uma lição de cultura! E a fusão, tão típica na musica electrónica, reage com espuma e cor, como poema com som. Os textos, musicados com essências lounge, trip-hop, chillout, deep-house e bossa nova são interpretados por nomes como os Spaceboys, Sam the Kid, Beto Medina, Pacman, Kika, Marco Delgado, Margarida Pinto Correia, Marta Dias, Sofia Morais, André Gago, Marta Dias, Melo D, entre outros....
É convicção profunda que a língua portuguesa é um elemento vivo, e que, tal como a comunicação, se reinventa todos os dias. Eis um ponto de partida que nos submete à impiedosa espera pela próxima edição. Assim é agradável aprender! Assim é agradável ser culto!...

Bang On...



O orgulho é simplesmente nosso! Bangguru é o grupo que faltava, e que se movimenta entre a música pop e o electro nacional!
As fronteiras da música electrónica nacional expandiram-se, e as comparações com os Goldfrapp e/ou Portishead são constantes. Os Bangguru possuem a vantagem de trabalharem sómente em originais e apresentam ao vivo (para quem ainda não os viu) uma forte vertente gráfica e audiovisual. Os seus trabalhos "Bang The Guru" e "Bantopia", são apresentados como o produto de vozes, guitarras, programações e samplers. As redefinições do estilo electro, chillout, deep, e trip-hop marcam ritmos frenéticos e momentânea loucura. O cliché "next big thing" do mercado discográfico nacional e (consta-se) internacional já originou brigas à boa moda peixeira, com editoras americanas e alemãs a correrem na linha de meta, para assegurar temas da banda, editáveis em compilações no estrangeiro. Nota de louvor para Marisa Fortes...ela sim...a next big voice!