quinta-feira, junho 01, 2006

Alma Lusitana, corpo mundial...


Não é própiamente uma novidade, e seguramente já muitos travaram conhecimento com esta "recente" forma de música electrónica. Falamos do Chillfado, que surgiu há sensivelmente 2 anos.
Tão simples quanto possível, é a fusão entre a música mais clássica e genuína que possuímos, e o estilo musical que este blog retrata, a música de vertente electrónica. Há casos posteriores que também poderiam receber algum destaque, tais como A Naifa ou Donna Maria, mas foi mesmo este projecto que trilhou pergaminhos, e que preencheu a lacuna que faltava.
São notáveis as marcas da promiscuídade do reggae, bossa-nova, jazz, flamenco, oriente (Indía e China), entre outros, com a música designada como chillout, ambient, dub ou trip-hop. Nesta linha de pensamento e actuação, era óbvio que deveriamos oferecer ao mundo o que de melhor temos: o fado. É a nossa herança cultural que se funde com o jazz, algum blues,e muito dub e chill Out.
Assim, a lógica recaiu sobre os grandes nomes da cultura fadista. É incontornável não referir os nomes de Amália Rodrigues, Zeca Afonso, Carlos Paredes. É um àlbum que se estranha ao inicio, mas o própio Fernando Pessoa dizia que primeiro estranha-se, e depois entranha-se. E o certo é que ao vivo, o espectáculo supera o àlbum de uma forma trancendente. As vozes de Viviane (Entre Aspas), Paulo de Bragança, e Wanda Stuart transfiguram-se e confundem o habitual consumidor pop.
Além destes, outros nomes também reforçam a selecção de tugas que defendem o fado: Mariza, António Pinto Basto, e Carlos Maria Trindade. Entre os produtores, alguns já se encontram na galeria dos reconhecidos. Renoiser armazena experiência com os ColdFinger e os Lisbon City Rockers, enquanto que Thierry T. foi quem lançou o primeiro àlbum de House em português. Outros nomes vieram de longe, mas com a mesma ânsia de trabalhar esta nova vertente musical. Falamos de Fidu e Eddie Jam, Moçambique e Bélgica respectivamente.
É certo que os conservadores poderão nem sequer piscar o olho a esta novidade, mas em benefício da dúvida, nada melhor que verificar por vós própios. Não é um excelente àlbum, é certo, mas é o primeiro passo, e o mais importante, para infiltrarmos o nosso dedo nas miscelâneas que já existem.
Claramente uma das aposta do Deep Café, que em jeito de mea culpa aqui tráz a nobre homenagem que o Fado merecia. Versão Electrónica.

quinta-feira, maio 25, 2006

É a crise, é a crise! Mais parece um vírus!



Swayzac é um projecto bem conhecido por não se prender a géneros e muito menos a catalogações.
Formado por James Taylor e David Brown, no final da década de 80, entretinham-se a misturar ambient a hip hop. Por aquela altura, o trip-hop dava os primeiros passos, e eles juravam que não tinham nada a ver com a entrada em cena de mais um estilo musical. E não tinham mesmo. É que os Swayzak passeiam-se entre os entre vários estilos, sem nunca aí residir definitivamente. Criam atmosferas! É esse o seu mundo.
Dífícil é acreditar que estes senhores deambulam tanto que dentro da música electrónica acabam por praticar estilos tão díspares como o tecno, tec-house, house, electro, ambient e chillout.
Depois de tantas misturas, subsiste a ideia que ficaram estacionados num dub techno minimalista, com características bem fortes e evidentes nas linhas de baixo, vocais com efeitos e ecos. Este “Route De La Slack” surge depois de quatro álbuns e uma série de remisturas. Remixes EP e Rarities EP, O primeiro, como o próprio nome diz, contém os melhores remixes da dupla. Já o segundo disco traz faixas raras ou nunca antes lançadas. Básicamente, e numa opinião modesta, estas músicas são uma tentativa da dupla se reinventar. É a inevitável retrospectiva que se poderia intitular "Best of". Acaba por ser um álbum desequilibrado, que se junta a tantos outros que este ano têm visto a luz do sol...mais parece que mereciam a luz das trevas!
Enfim, e como nem tudo é negro, a matéria-prima alheia resulta numa primeira parte satisfatória, onde a imaginação anda a par com a magnífica capacidade técnica da dupla em concretizar as suas ideias. O pior vem com os lados B. Dúvidas conceptuais que hesitam em hipotéticas certezas. São excelentes ideias mal concebidas, um amargo contra-senso perceptível na confiança exagerada da programação. Nem sempre quantidade é qualidade, e ao menos este álbum, se tiver algo de útil, é de servir de mau exemplo.


E já que este ano, decididamente, são vários os projectos que nos privaram da sua veia artística, resta-nos acalmar as tribos. É que ela existe, mas numa componente mais modesta e "lazy". É o mesmo vírus que atacou os Nightmares On Wax e os Thievery Corporation. Agora é chegada a vez dos Swayzac e dos Tosca de Richard Dorfmeister e Rupert Huber. Depois dos britânicos, arrancamos para os austríacos. "Souvernirs", em vez de ser um "Best Of", colectânea ou retrospectiva, é nada mais nada menos que um exercício de remisturas, não de temas de artistas famosos, mas sim do último álbum "J.A.C." de 2005. Meu Deus, há assim tanta falta de inspiração, ideias, formatos, projectos ou concepções?!...É certo que no álbum há nomes sonantes como Stereotype, Rodney Hunter, Henrik Schwarz, Madrid de los Austrias, mas grandes ingredientes nem sempre fazem um bom bolo! Ajuda, mas não chega!
No mundo da música, existe o sub-mundo da remistura. Vivem em simbiose e de mãos dadas.
O problema é quando temas deste álbum se afastam do tema-base e reforçam o cliché que o original é sempre o melhor. É pena, mas a falta de criatividade só gera uma situação: boas remisturas, bem interessantes, mas que poderão correr sérios riscos de serem ouvidos uma só vez.
A realidade é esta, e aqui no Deep Café esperamos por melhores dias. A música somos nós, e todos nós temos altos e baixos. Como sempre os melhores àlbums serão escutados nas galerias do Deep Café...e de agora em diante...os menos bons também!

segunda-feira, maio 08, 2006

Querem crise? Tomem lá crise!


Depois de um àlbum que vende mais de 100 mil cópias só nos E.U.A. (The Cosmic Game - Fev.2005), a fasquia sobe de forma considerável. Mas não é nada de mais para quem sempre foi fiel ás suas origens e às linhas mestras do projecto Thievery Corporation (TC).
Contudo, e apesar do contínuo sucesso de vendas, a critica a cada àlbum é sempre a mesma, agravando-se na dureza e na agressividade. Já se diz que este àlbum poderia ter saído há 10 anos que ninguém notava. A vida de um artista é assim mesmo e Eric Hilton e Rob Garza, já devem estar bem habituados.
Para quem não sabe, estes americanos sempre foram defendidos no Deep Café, e esta vez não será excepção. A realidade é esta: os TC passam por um momento de falta de inspiração! É um facto! Mas não deixaram de fazer boa música! Um caso semelhante foi aqui retratado no blog, e que se passa com os britânicos Nightmares On Wax. Com os TC surgiu um novo trip-hop que angariou subditos em todo o mundo, e empolgou (e de que maneira) os amantes mais conservadores de Massive Attack e Portishead. A realidade (a meu ver) é que esta encruzilhada criativa tem uma explicação simples. Este àlbum é um passo ao lado e não em frente. Não é suposto ser uma novidade ou uma nova fase. É apenas o responder a um pedido que foi feito à medida que os TC iam crescendo e se iam notabilizando! As encomendas surgiram em própia mão por nomes como Norah Jones, Astrud e Bebel Gilberto, Isabelle Antena, entre outros, que queriam os seus temas com novas sonoridades, e em roupagens mais jamaicanas e brasileiras. Assim sendo, quem melhor que os TC? Todos conhecemos as suas obras que transpiram dub, reggae, hip-hop, bossa-nova e funk! Não há crise! Não se assustem!Não vejo este hiato como uma crise. É certo que há desgaste e pouca evolução, mas o lado positivo é revelado em remisturas raras nunca editadas, com o ecletismo como base comum.
Astrud Gilberto sai vencedor por K.O. pois "Who needs forever" é uma revigorante proposta plena de variações! A cada um deixo o critério de avaliação, mas em abono da verdade, temas como os de Nouvelle Vague e de Emilie Simon, ainda vão embalar muitas tardes de pôr-do-sol. Do único original incluído no disco, resulta uma bem sucedida parceria com a lenda do reggae Sister Nancy. É aqui que confiamos que o bloqueio criativo não será a fatalidade irremediável por muitos temida.
Aos já bem dissecados "Sounds from the Thievery Hi-Fi", "The Mirror Conspiracy", "The richest man in Babylon" e "The Cosmic Game", junta-se agora este "Versions", e que para quem precisa se confirmação será já apresentado ná próxima emissão do Deep Café. Boas visitas nas galerias do Deep Café...

quinta-feira, maio 04, 2006

El tango no muere!


No longínquo ano de 1998 surgiu um dos grandes projectos de musica electrónica que consegue cativar qualquer leigo, ou o mais distraído seguidor de música.
Foi pela ideia do guitarrista Eduardo Makaroff que tudo começou. Ele conhece Philippe Cohen-Solal, músico e fundador do selo discográfico Ya Basta!, que por aquelas alturas trabalhava com o suiço Christoph Müller. Um provém de Buenos Aires, e destacou-se no mundo do rock, mas ingeriu tango. Os outros dois são sócios há alguns anos, escultores de vinil e artífices de sons. Assim, decidem pôr em comum as suas habilidades com o propósito de elaborar uma síntese inédita, entre tango e música electrónica. Criam o nome: Gotan, inversão das sílabas de "tango", em alusão ao modo de falar que se usa tanto em Paris como em Buenos Aires.
Os dados estão lançados, e na boa verdade, o jazz de fusão deu um bom mote com exemplos práticos como St.Germain ou De-Phazz. Seria a vez do tango se insurgir no meio da electrónica actual.
Através de experiências com clásicos, como "Vuelvo Al Sur" de Astor Piazzolla, compositor que soube impôr o novo tango, decidem aproveitar o espírito, em detrimento das letras. Convocam uma equipa de entendidos: uma espanhola, uma violinista de formação clássica, um par de argentinos de París (Nini Flores no bandoneão e Gustavo Beytelmann no piano). Esta selecção teve o condão de abordar o desafío rítmico com as orientações adequadas. Só por sí, o dub será o factor de união indispensável, e a pedra fulcral que suportará todo o mecanismo de invenção e produção.
Depois de provetas e tubos de ensaio, consegue-se "Vuelvo Al Sur", com direito a um lado B, "El Capitalismo Foráneo". O desfile de grandes temas prossegue com "Tríptico", "Santa María (del Buen Ayre)", etc. Pressionados a lançar um àlbum surge"La Revancha Del Tango". Estamos no ano de 2001.
Mais tarde, em 2004, sai um DJ set de Gotan Project seleccionado e misturado por Philippe Cohen Solal.Durante a tourné (2001-2003), Philippe Cohen Solal desejou juntar grandes temas numa compilação « Inspiración • Espiración ». Este projecto reune dois temas originais de Gotan Project com tangos raros e funky, versões inéditas confrontadas com as novas tecnologias da música electrónica.
Agora em 2006, eles são os mesmos mas diferentes. Mais maduros, sóbrios, e com a experiência adquirida nos 5 anos de tourné pelo mundo, acumulada em aeroportos ou estúdios obscuros. O própio single de estreia -"Diferente"- o indica. Continuam grandes compositores com os mesmos pretextos melódicos que se inspiram nos maiores de todos os tempos como Carlos Gardel, que influencia o título do álbum, "Lunático" (o nome do cavalo de competição de Gardel). Para este novo álbum, o trío reforçou a sua colaboração com o pianista Gustavo Beytelmann, um argentino que vive em París há mais de 25 anos. Sem esquecer as canções e letras agri-doces que Cristina Vilallonga dá vida e voz. Mais um disco genial deste projecto franco-argentino que nos deixa a sensação que o tango não morreu! Reinventou-se como Lavoisier dizia: nada se perde, tudo se transforma!Estreia do àlbum "Lunático" já na próxima emissão do Deep Café, com claro destaque para o single "Diferente".

segunda-feira, abril 17, 2006

Reunião de bens adquiridos



Quando se começa um projecto musical, poucos conseguem adivinhar o seu futuro, e mesmo os mais optimistas não arriscam a cair no ridículo e na humilhação de um palpite exagerado. Há 15 anos atrás foi assim em Bristol. Uma banda que edita com sucesso repentino "Blue Lines", e que ninguém pensaria no início dos anos 90, que chegaria a este ponto, eleitos como os autores de uma estética e de uma linguagem pop, por vezes sombria mas sempre brilhante, e que se orienta pelas linhas mestras do hip-hop, reggae, soul, rock e downtempo.
Eles são os Massive Attack, uma banda de inglesa, pais do trip-hop britânico, a par dos Portishead. Oficialmente são compostos por 3D (Robert Del Naja) e Daddy G (Grant Marshall). Horace Andy tem uma importante participação em todos os álbuns da banda, assim como Nicolette. Realce para os ex-Massive Adrian "Mushroom" Vowles e Tricky, também eles consagrados na cena electrónica mundial. Apesar de fundados em 1987, só em 91 editam o primeiro álbum, seguido de "Protection" (1994), "Mezzanine" (1998), "100th Window" (2003), "Bullet Boy" (2005). Pioneiros no género, apenas dois nomes rivalizam com os autores de "Collected", os já referidos Portishead de Beth Gibbons, e a dupla de Washington Thievery Corporation.
Hoje em dia, 3D encontra-se cada vez mais isolado na criação do projecto. Mas nem sempre foi assim. As canções eram uma constante libertação, dando a entender existir uma linha condutora da madureza dos anos com a alma. Tornaram-se célebres as parcerias com nomes de luxo. Convidados de primeira classe, que se enquadravam na filosofia de cada tema. Contudo, depois de Shara Nelson, Tony Brian, Nicolette, Tracey Horn (Everything But The Girl), Elizabeth Fraser (Cocteau Twins), Sara Jay e Sinead O'Connor (isto já para não falar de Horance Andy ou de Tricky), a banda de Bristol conseguiu ser ainda mais caprichosa e convidar Terry Callier para cantar o seu novo single «Live With Me», que serve de amostra para este "Collected". O tema é simplesmente brilhante, com uma alusão óbvia às sonoridades de “Blue Lines”.
Além dos clássicos, encontramos lados B e raridades, e claro está, o DVD acoplado que nos concede um bilhete mágico para uma viagem pelo imaginário cuidado dos telediscos do grupo.

É esta a proposta da semana, com natural destaque no Deep Café de quarta-feira.

quinta-feira, abril 06, 2006

Com flamenco na veia


O Flamenco é uma arte do sul de Espanha, nomeadamente da Andaluzia. Divide-se em três partes que são o canto, o baile e a guitarra. As primeiras informações acerca desta forma de cultura datam do ano de 1774, quando Cadalso escreveu as "Cartas Marruecas" e atribui as culpas aos ciganos por esta peculiar forma de manifestação social e cultural.
Séculos depois, pelo ano de 2002, a transformação dá-se, e o flamenco reinventa-se! Surgem uns malaguenhos que fundem o flamento gitano com o chillout moderno. O resultado é "Flamenco Chill". Oito temas originais inseridos numa colectânea de música de inspiração flamenca. Daí saem grandes hinos como "Instinto Humano" e "Verde Mar".
De imediato são considerados os pais do FlamencoChill, em que as notas do flamenco se mesclam com os sons e ambientes do chillout e lounge. Impulsionados pelas mais de 90.000 cópias do primeiro álbum, partem para uma nova obra-prima. Finalizado em 2004, sai ao mercado "Endorfinas en la mente".
O que outrora foi um projecto arrojado e arriscado, passou com segurança e mestria a ser uma orientação na música electrónica actual. Melodias com raiz, elegância e frescura, tradição e modernidade. O fantástico "Ahí estás tu" imortalizou-se através de publicidades, colectâneas e expansão radiofónica! Como sempre o será, a música de novo demonstra como pode ser intemporal e se adapta sem pudores às novas exigências e modas. Atenção às vozes de Eva Jimenez e de Mari, cristalinas e limpas como as águas da costa andaluza. Realce para a continuidade dada em 2005 com o mais recente álbum da carreira dos Chambao "Pokito a poko". Em breve, e no seguimento da musica electrónica de fusão, o devido realce ao nosso projecto nacional e original Chillfado.

terça-feira, abril 04, 2006

I´m not a monkey...


Bonobo, o chimpanzé anão, é um primata oriundo do centro do continente africano. Bonobo, o artista da Ninja Tune, desde 1999 que colocou Brighton no mapa da cena musical electrónica. Simon Green, é o nome deste produtor, músico e Dj. Pouco ou nada podemos comparar entre estes dois seres, senão mesmo o facto de se encontrarem em vias de extinção. Com o calor e glamour dos filmes franceses dos anos 60, e o sabor do hip-hop horizontal, Bonobo, aglutina o melhor que ainda se faz na Ninja Tune com os últimos traços do chillout inteligente.
Tudo começou com a compilação "When Shapes Join Together", do selo Tru Thoughts Recordings. A Mute desafiou-o para voos mais altos, mas a confirmação da qualidade de Simon em "The Scuba EP" e do single "Terrapin", blindou definitivamente a saída desta editora. O progresso e evolução na Tru Thoughts e Ninja Tune resultam no álbum de estreia "Animal Magic". Como armas e argumentos, Bonobo apresenta downtempo de bom arcaboiço, dub de bom sangue, funk e low-fi q.b.. Beats de algodão, melodias indeléveis e evocações cinematográficas - Eis uma noite Bonobo!
O ano transacto foi lançado o álbum de misturas "Live Sessions EP", mas nem mesmo os vários Ep´s, singles e misturas ao vivo retiram a importância e protagonismo que "Dial 'M' For Monkey" consegue ter.
Músicos certos, escolhidos a dedo, ensaios pagos do própio bolso, e actuações ao vivo memoráveis são os ingredientes que fortalecem o sonho de um artista. Trabalhou no anonimato, o que lhe proporcionou a segurança suficiente para trabalhar à vontade. E depois dos shows em Glastonbury, The Big Chill, Jazz Cafe, e sets exóticos da Italia à Russia, a madurez bateu-lhe à porta! Novidades, muitas! Misturas pesadas de hip-hop, jazz em doses light, broken beats, Latin, e a funk e soul costumeira.

Mais uma sugestão Deep Café, que por mais tempo que passe, terá sempre na sua playlist o som terno e doce de Flutter. Regresso embalado a uma possível infância e meninice!